As nossas escolhas musicais podem ter muitas influências, mas o factor mais determinante poderá ser a nossa personalidade. Porquê gostar de metal e não de R&B? Ou o inverso? Um novo estudo levado a cabo por um grupo de psicólogos da Universidade Cambridge prova a existência de relação entre personalidade e gosto musical. Esta investigação, publicada na revista "PLOS One", teve por base a teoria da empatia - sistematização (E - S) de Simon Baron Cohen, um parâmetro psicológico que categoriza a cognição humana nos que criam empatia e nos sistemáticos.

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Este estudo dividiu-se em duas fases. Quatro mil voluntários dispuseram-se a ser analisados na aplicação do Facebook "my Personality". Assim foi possível, após responderem a um questionário, serem divididos em cinco grandes grupos de personalidade: "neuroticismo", "extroversão", "disposição a novas experiências", "afabilidade" e "consciência". Na segunda etapa do teste as pessoas envolvidas ouviram 15 segundos de 50 músicas, de 26 géneros e subgéneros musicais.

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Analisadas as avaliações, a conclusão relaciona positivamente os dois géneros E (empáticas) - S (sistemáticas) com as preferências musicais. As pessoas do tipo E apreciam Música de baixa energia. Música suave, reflexiva e sensual, com emoções negativas ou de profundidade emocional. Géneros como R&B/soul e soft rock são as escolhas deste tipo de pessoas.

Ao invés, as pessoas do tipo S vibram com músicas de alta energia, emoções positivas e com alto nível de profundidade e complexidade cerebral.

Géneros como punk, heavy metal e hard rock. Em termos de atributos sonoros, o tipo E gosta de músicas com cordas, o tipo S música densa, ruidosa, distorcida, rápida e com guitarra eléctrica.

O principal investigador da pesquisa é David Greenberg, psicólogo doutorado e também saxofonista. Para ele estas descobertas poderão vir no futuro a atingir um enorme potencial comercial, recomendando em serviços de streaming escolhas mais direccionadas ao perfil/personalidade do cliente.

Simon Baron Cohen, que também participou na pesquisa, autor da teoria empatia - sistematização, lecciona e pesquisa sobre psicopatologia em Cambridge, onde dirige o Centro de Pesquisa sobre o Autismo. Uma das próximas etapas da pesquisa revelada no estudo é estender para a análise os indivíduos de tipo S extremo (pessoas com autismo). Os autistas possuem níveis de empatia abaixo da média, por isso são normalmente categorizados neste tipo.

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Ainda não foi muito explorada as preferências musicais no autismo e o seu processamento perceptual. Será que os padrões para o tipo S extremo são semelhantes ao do tipo S? Quem sabe em breve tenhamos uma resposta.

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