OsYes estão entre as mais influentes, vanguardistas e respeitadasbandas do mundo no que ao rock progressivo diz respeito e, quandoeditam um álbum ao vivo, nunca será apenasumálbum ao vivo. Por isso, quando «Like It Is – Yes At The BristolHippodrome» foi anunciado, a meio do Verão, os fãs sabiam quepodiam esperar uma coisa muito especial. Primeiro, porque estamos afalar de um grupo de músicos que coleciona prémios Grammy, com umtotal de 40 milhões de discos vendidos ao longo das suas quatrodécadas de carreira e que mantém o rock progressivo e sinfónicosempre refrescante e inovador.

Depois, porque os fãs sabiamque a última digressão da banda britânica, onde este registo foifeito tinha sido, ela própria, um evento especial.



OsYes passaram boa parte de 2014 na estrada a tocar álbuns clássicosna íntegra, pela ordem em que as músicas estão nos discos.Faziam-no normalmente com dois discos por noite, por vezes três. Nanoite que este lançamento recorda, foram interpretados os trabalhos«The Yes Album», de 1971, e «Going For The One», de 1977.Tecnicamente a banda está numa forma excecional, apesar dos seuselementos – tirando o vocalista – estarem na casa dos 60 anos.Existe, aliás, na versão em DVD de «Like It Is» o bónus depercebermos o quanto estes senhores se divertem com a sua própriaMúsica, quarenta anos depois de a terem originalmente gravado, semfalharem uma nota, um acorde ou um ritmo.

Depois, a nível degravação, nada a apontar também. Som cristalino, boa realização– pormenorizada e com um ritmo adequado – e com os meios técnicosnecessários para documentarem na perfeição o espetáculo dos Yesem (quase) todas as suas dimensões. Melhor, aliás, só estando lá.



Finalmente,a delicada questão do vocalista. Jon Anderson é a mais mítica vozdos Yes e o único elemento da formação “clássica” que nãofaz atualmente parte do grupo.

Apesar de já ter manifestado vontadede reunir-se aos seus ex-companheiros e do baixista Chris Squire terdeixado uma porta aberta em relação à possibilidade, o guitarristaSteve Howe apressou-se a dizer que, desejando tudo de bom aovocalista, tinham seguido caminhos diferentes e não há volta a dar.Por isso, Jon Davidson, o homem do microfone dos Yes desde 2012, é afonte de todas as discussões entre os fãs do projeto.

O seu timbretem óbvias semelhanças com o de Anderson, o que até dá jeitoquando estamos a falar de canções tão exigentes vocalmente quandoas dos discos «The Yes Album» e «Going For The One». Masespiritualmente – e visualmente – não é a mesma coisa ter osYes clássicos a interpretar dois dos seus mais clássicos trabalhosdos anos 70 e ter os Yes quase-clássicos e um cantor visivelmentemais novo e entusiasmado mas também pouco “enturmado” ali, àfrente daquele grupo de músicos históricos.

Não serão os Yesperfeitos, mas são certamente os Yes possíveis, num registo que,feitas bem as contas, acaba por fazer jus ao título de “melhorbanda de rock progressivo do mundo”.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo