O viajante Daniel Martins de Moura Guimarães (1827-1893), que assina D.M. de M.G., viaja entre 1865 e 1867 pela Europa, percorrendo 11 países com a preocupação de escrever o seu Guia do amador de Bellas-Artes. Enriquece no Brasil e regressa a Portugal, fundando o Grande Hotel do Porto, em 1880, já com inovações aprendidas nas viagens. O livro considerado raro, é o único publicado pelo autor, que é bisavô por via materna do músico Pedro Abrunhosa. Uma das curiosidades é o mapa ferroviário da época da viagem (c.

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1866) que dispõe no final e apresenta as linhas férreas em funcionamento e em construção (ou apenas projetadas). Distingue, na margem esquerda, o título Nouvelle carte des chemins de fer de l' Europe e o subtítulo Publiée par M M. A. CHAIX et Cie., Editeurs, Rue Bergère, 20, à Paris.

Neste que parece ser um simples livro de bolso, D.M. de M.G. revela um sem fim de informações práticas sendo algumas atuais. Descreve a arte, o património e os aspetos mais importantes das vilas e cidades europeias (54 em Portugal, 22 em Espanha, 14 em França e Itália, sete em Inglaterra, seis na Bélgica e Holanda, nove na Alemanha, Áustria e Suíça, oito nas margens do Reno); as escolas de escultura e pintura e artistas consagrados e em emergência; a relação de hotéis, indicação de distâncias entre os centros urbanísticos e outros esclarecimentos ao viajante, como a comparação de preços e a diferença entre as 1.ª e 2.ª classes.

Na segunda parte do livro, o autor dá-nos uma História muito resumida da escultura egípcia, assíria, etrusca, grega, romana, italiana, espanhola, alemã, flamenga, inglesa, francesa, portuguesa, inglesa e russa, assim como de escultores e pintores célebres, menos conhecidos e modernos. Ao longo da viagem (ou viagens), observamos que D.M. de M.G. recorre à citação de outros guias célebres que consulta e enumera previamente, acrescentando algo de seu. Antes de partir, o autor estuda as viagens que pretende fazer e dá uma visão real do que encontra - o que nem sempre acontece nos guias consultados.

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Curiosamente, apesar de terem passado quase 150 anos, podemos ainda experimentar alguns dos seus conselhos. Ninguém diria pelo rigor da obra que o autor é um simples amante (ou amador) de Belas-Artes.