Um dos símbolos da capital portuguesa são os corvos. Ao passearmos pelas ruas de Lisboa encontramos muitas vezes, quer em iluminação, quer em calçada, e até mesmo na bandeira, a alusão a uma barca e a corvos. Mas porquê falar destes corvos? Porque aparecem tantas vezes? Porque se tornaram num símbolo da capital?

Olhando para o emblema e bandeira da cidade capital de Portugal, Lisboa, salta-nos à vista os corvos nela desenhados.

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Isto está relacionado directamente com o verdadeiro padroeiro da cidade, S. Vicente, e com a sua História de mártir. Segundo a obra "Santos e milagres na Idade Média em Portugal", do autor Paulo Alberto, decorria o século IV, na época do imperador Diocleciano, quando o governador de Valência, Publius Dacianus, teria martirizado o bispo de Saragoça, o diácono Vicente. Depois de matar o bispo, abandonou-o em espaço aberto para ser consumido pelos animais.

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Entretanto surgiu a lenda de que o corpo havia depois de largado sido guardado por um anjo sob a forma de um corvo, que ali permaneceu, afastando os restantes animais.

Depois de saber desta história o governador ordenou que recolhessem o corpo de Vicente e mais tarde o lançassem ao mar. Mas, uma vez mais, esta ordem não teve o efeito desejado, visto o corpo ter voltado a dar à costa. Os cristãos, ao darem com o corpo, decidiram em segredo sepultar o diácono ali junto ao mar.

Quatro séculos se haviam passado e durante as invasões muçulmanas, com quase todos os vestígios cristãos a serem destruídos, eis que os sobreviventes optaram por proteger os restos mortais do antigo bispo, levando-os de terra em terra até chegarem ao Algarve, mais concretamente ao "Promontório dos Corvos", actual cabo de S. Vicente.

Foi, no entanto, aquando da conquistas de Lisboa por D. Afonso Henriques, e quando este soube da história do "santo", que ordenou que as relíquias fossem trasladadas para a Igreja de Santa Justa, em Lisboa, e mais tarde, com o terramoto de 1755, transferidas para a Sé Catedral, tornando São Vicente no santo padroeiro de Lisboa.

Durante o transporte dos restos mortais do santo, do Algarve para Lisboa, estes foram sempre acompanhados por dois corvos a sobrevoar a caminhada, sendo que descendentes destes corvos ficaram até meados do século XVIII a viver numa das torres da Sé.

Está então explicada a história dos corvos e a sua ligação a Lisboa, sem falar no misticismo envolvido pelo símbolo do corvo, ou seja, simbolizam "a viagem e transformação espiritual".

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