Desprezados por uns, admirados por outros, os ciganos ao longo da sua História  não deixam ninguém indiferente. Com costumes distintos de todos os outros, esta minoria foi alvo de forte discriminação. Várias nações tentaram expulsá-los, mas sem sucesso. O caso português teve um desfecho diferente, pois a tal se deveu a uma medida original. Conheça um pouco mais desta história. 

Os ciganos instalaram-se em Portugal no século XV. Gil Vicente inclusivamente falou deste povo numa das suas obras, intitulada "A Farsa das Ciganas".

Esta minoria desde logo não foi bem aceite. 

Portugal foi o "primeiro país a recorrer à deportação para as colónias ultramarinas como método novo de expulsão", conta-nos Angus Fraser no seu livro "A História do Povo Cigano".

O autor acrescenta que esta deslocação destinava-se aos ciganos que tinham nascido em Portugal.

A necessidade de aumentar o número de habitantes nas colónias, e o fato dos colonos procurarem mulheres, terão sido 2 fatores importantes para a implementação desta medida. A decisão terá sido tomada no decreto de 1538, no reinado de D. João III. 

Na obra anteriormente referida, Angus Fraser revela que "Em 1574 temos o primeiro registo de um cigano português, mandado, com a mulher e os filhos, para o Brasil (...), foi também o primeiro cigano registado com um nome de tipo português, Johão de Torres". 

Desde então este convite forçado sofreu tendências: as mulheres ciganas eram habitualmente transferidas para África, já os homens iam para as galés. O Brasil começou a ser porto de abrigo a partir de 1686 (os ciganos mais irreverentes eram deslocados para o estado do Maranhão).

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No século XVIII, mais concretamente em 1760, a comunidade cigana no Brasil já tinha atingido números relevantes. O governador geral manifestou nesse ano desagrado pelo comportamento daquele povo. Face a esta situação, O rei D. José aplicou leis mais rígidas.

No entanto, apesar de todos estes planos, a comunidade cigana não desapareceu totalmente de Portugal, resistindo assim até aos dias de hoje.