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O segundo dia do Vagos Metal Fest contou com uma enchente de público. Não tantas pessoas logo na abertura como se viu no primeiro dia, mas na hora de jantar o recinto estava praticamente lotado. Às 16h em ponto, a banda de abertura Implore provocou uma das surpresas do festival, tanto a nível de sonoridade como de atitude em palco. Mesmo sendo a primeira banda a atuar, os Implore tiveram uma entrada avassaladora com um death/grind fortíssimo que agitou logo de início os que já se encontravam junto ao palco. O simpático Gabriel Dubko (vocalista/baixista) esteve sempre muito comunicativo e agradeceu todo o esforço do público em estar ali a ver a banda em vez de estar na praia.

Vindos do país de Gales, os Brutality Will Prevail, já com alguma base de fãs por cá, não tiveram qualquer dificuldade em colocar o público em alvoroço com o seu Hardcore/beatdown. Neste momento, estão a promover o seu novíssimo "In Dark Places" e puderam mostrar ao público português o porquê de serem uma banda como uma sonoridade bem variada dentro do espectro do hardcore, misturando alguns elementos de sludge e doom ao seu som.

Os portugueses Hills Have Eyes são mais uma prova que a organização do VMF quer que o festival seja o mais variado possível a nível de sonoridades e cativar cada vez mais público. Quem conhece os Hills Have Eyes sabe com o que pode contar. Muita energia em palco, refrões orelhudos munidos de um peso contagiante e uma enorme entrega da banda.

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Os temas como "Antebellum", "The Bringer of Pain" e ainda o novo single "Never Quit" fizeram com o público respondesse com circle pits e muitos refrões cantados.

Depois do Metalcore dos Hills Have Eyes estava na hora de uma sonoridade mais clássica, e nada melhor que o heavy/thrash metal dos Metal Church. Com uma entrada triunfante ao som de "Fake Healer" e munidos de um som exemplar, basearam a sua atuação não só em temas do seu último trabalho "XI", de 2016, mas também em clássicos como "Badlands" e "Watch the children pray". O público português correspondeu na perfeição sempre de punho no ar e em sintonia com uma banda que é bastante respeitada no nosso país.

Os irlandeses Primordial são daquelas bandas que ao longo dos anos foram ganhando um carinho especial por Portugal e o público também por eles. O seu black metal com uma identidade muito própria goza de uma enorme popularidade em terras lusas e prova disso é que era uma das bandas mais aguardadas deste 2.º dia do VMF. Comandados pelo expressivo vocalista Alan "Nemtheanga", os Primordial deram início à sua atuação ao som de "Where greater men have fallen", seguindo-se de "Gods to the Godless".

Concerto irrepreensível dos irlandeses, recheado de emoção por parte do vocalista que não parou de se movimentar pelo palco nem de constantemente dialogar com o público. Fecham com "Empire Falls" de forma épica, carregado de alguma melancolia e com um público completamente rendido.

Korpiklaani, que comece o bailarico!

Seguiram-se os festivos Korpiklaani, que criaram uma autêntica festa no recinto da Quinta do Ega, onde voavam cervejas ao mesmo tempo que os seguranças junto ao palco não tinha mãos a medir com tanto crowdsurfing. O folk metal dos Korpiklaani e os seus concertos resumem-se a uma enorme festa em que os que assistem são "quase" obrigados a dançar do início até ao fim do concerto. Uma daquelas bandas que se deve ver uma vez na vida e que consegue colocar milhares de pessoas a dançar e a sorrir durante as suas atuações festivas.

Soufly a provocar o maior frenesim no público!

Após todo o frenesim criado na atuação anterior, era a hora de a banda mais aguardada de todo o festival subir ao palco! Os Soulfly começaram com "Blood, Fire, Hate", "We sold our souls to metal" e enormes circles pits nasceram pelo recinto. Percebeu-se desde logo que este ia ser um daqueles concertos memoráveis pela devoção do público aos Soulfly. O caos instalou-se por completo quando foram tocados temas como "Prophecy" e "The Frontlines", com o baterista Zyon (filho de Max) impressionantemente seguro atrás do seu "kit" de bateria. Sólidos também estiveram Marc Rizzo (guitarra) e o baixista Mike Leon, que são uma base importante da banda. Houve ainda tempo para temas como "Umbabarauma", "Tribe", "Refuse/Resist" (Sepultura) e o explosivo "Jump da fuckup", onde o público saltou até ao fim. O carismático Max Cavalera pode não estar na sua melhor forma vocal mas continua a ter um respeito e um enorme carinho pelo público português.

Apesar do cansaço que já se fazia sentir no público, com alguns já a abandonar o recinto, os Powerwolf tiveram uma boa receção e aceitação.

Powerwolf incansáveis na interação com a plateia

Um heavy power metal carregado de teatralidade, cheio de canções alegres e épicas, que tem sido um fenómeno dos últimos tempos. Os temas das suas canções são à volta de vampiros, lobos, fantasia e figuras religiosas. A forma humorística como o vocalista Attila Dorn apresenta os temas faz com que seja sem dúvida umas das bandas de power metal que consegue realmente entreter o seu público. Podem não trazer nada de novo mas foram uma proposta bem interessante ao vivo e a banda que teve o melhor som da noite.

A noite era longa e fria, mas foi a perfeita combinação para o concerto dos muito aguardados Batushka, que despertavam uma enorme curiosidade do público para a sua atuação. Depois de uma longa e desesperante espera devido a problemas técnicos, os polacos Bathushka iniciaram o seu ritual e transportaram-nos para uma outra dimensão negra e hipnotizante. Um final de noite obscuro e arrepiante, e só mesmo os mais resistentes conseguiram desfrutar do black metal enigmático e transcendente dos Bathuska.