A Inquisição, uma das páginas mais negras da História de Portugal (e não só), operou entre os séculos XV e XIX. Como se sabe, com ou sem nenhum fundo de verdade, eram sobretudo julgadas, condenadas, e muitas vezes mortas pessoas por serem judias. Também existe a ideia da perseguição a supostas bruxas e feitiçarias, e aos que publicavam ou vendiam livros considerados proibidos. Contudo, existiram também outros argumentos para acusações. Com base no blog genealogiafb.blogspot e na análise de informações relativas a alguns processos da Inquisição, revelamos agora certos casos "especiais".

Domingos Monteiro, soldado de 30 anos, residente em Lisboa, segundo o processo do Tribunal do Santo Ofício, terá ameaçado um guarda do cárcere da Penitência.

Foi preso pela Inquisição 4 de maio de 1644. 2 dias depois, teve auto de fé. Este homem levou uma severa repreensão.

António Lopes de Saavedra, também soldado, e também residente em Lisboa. Foi julgado pela Inquisição por duas vezes: em 1648, quando tinha 22 anos, foi acusado de sodomia (foi preso a 10 de junho de 1648). Teve auto de fé distante dos olhares do povo. Foi-lhe partida uma perna, e recebeu instruções para se fixar no Brasil durante 3 anos. De acordo com os documentos da Inquisição, António não cumpriu os 3 anos no Brasil. Aos 26 anos, volta a cair nas malhas da Inquisição. A 16 de maio de 1652 é preso uma vez mais. Teve o auto de fé a 1 de dezembro de 1652, e recebe ordem para regressar ao Brasil... onde tem que ficar por 5 anos. Segundo os dados disponíveis no blog genealogiafb.blogspot a pena também sentenciou "penintências espirituais, e pagamento de custas")

João Fernandes, habitante na Ilha do Pico, foi condenado a prisão a 31 de outubro de 1701, por ter casado com uma mulher luterana.

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Frei Félix Machado, do convento da Santíssima Trindade em Santarém, foi acusado de "sacrilégio, celebrar missa e confessar sem ter ordem para isso", conta o genealogiafb.blogspot. Foi enviado para o Cárcere da Custódia: o processo foi analisado, e a decisão final enviada para o Conselho Geral.

Domingos Pereira, 35 anos, pedreiro, terá ajudado várias pessoas presas pela Inquisição a fugirem, estabelecendo ligações (a partir da receção e de envio de recados) entre elas e as respetivas famílias. A Inquisição prendeu Domingos Pereira a 27/6/1595, e foi decidido posteriormente, que sairia em liberdade, não podendo repetir as ações que fora acusado (se o fizesse, sofreria consequências dramáticas).

Joana Velha, 27 anos, empregada de D. Maria de Castro Vasconcelos. em Lisboa, foi presa a 9 de março de 1557. Teve auto de fé privado a 13 de março de 1557. Foi repreendida, e por não ter respondido, acabou por ser libertada... com um aviso, não repetir a mesma "brincadeira". Afinal o que fez ela de tão grave? Segundo o genealogiafb.blogspot, "Acusou um Familiar do Santo Ofício de ter Cristãos Novos".

Melchior Mendes de Azevedo (desconhecemos a sua profissão), 50 anos, residente em Avis (termo de Évora), foi acusado de se ter feito passar por ministro da Inquisição. Teve auto de fé a 10 de setembro de 1595, e ainda penitências espirituais, e que todas as custas que fossem pagas pelo próprio.

O Padre José Matias de Gouveia, 47 anos, natural de Avelas da Ribeira (hoje distrito de Guarda), serviu-se do cargo do Santo Ofício para negócio particulares. Preso a 22 de janeiro de 1746, auto de fé a 5 de novembro de 1746. As suas funções na Inquisição foram suspensas, e teria de pagar pelo dano que causou. Foi ainda enviado por 4 anos para Castro de Marim.