Pedro Miguel Queirós, mais conhecido na literatura portuguesa por Raul Minh’alma, publicou em novembro de 2018 o seu primeiro romance, "Foi Sem Querer Que Te Quis", que em poucos meses de lançamento já ocupa lugar no Top Nacional de livros mais vendidos na FNAC. O romance esteve em 1º lugar por 10 semanas consecutiva, e encontra-se em 7º lugar no Top 10 de livros mais requisitados na Wook. Ambos são marcos históricos na carreira do autor.

Desde o lançamento, o jovem embarcou numa tour promocional pelo país com várias sessões de autógrafos, estando a próxima marcada para 6 de Abril no Funchal.

Talento precoce

O percurso de Raul Minh’alma na escrita começou cedo, aos 17 anos, altura em que se dedicou a escrever poesia. Aos 19 anos lançou o seu primeiro livro de poemas, intitulado “Desculpa mãe” .

Aos 24 anos, em 2016, publicou Larga quem não te agarra, um livro de ficção muito vendido em Portugal que chegou ao Brasil um ano depois. Nesse mesmo ano, lançou a obra Todos os dias são para sempre", que o consagrou como um autor best-seller a conquistar milhares de leitores.

Em inícios de 2018, publicou "Dá-me um dia para mudar a tua vida”, livro com 500 mensagens diárias para inspirar o leitor.

E foi em finais do ano passado que o autor natural de Marco de Canaveses surpreendeu os fãs com o romance “Foi sem querer que te quis”, onde faz uso de uma narrativa promissora para contar uma história diferente que dá "a receita para ser feliz no amor", segundo afirma o escritor.

"Tudo o que de mal nos acontece tem um lado bom"

Em entrevista exclusiva, o escritor revelou alguns aspectos interessantes da sua vida e carreira, que o mostram para lá de ser Raul Minh’ alma.

- Como e quando adquiriu o gosto pela escrita?

Comecei a escrever numa fase da minha vida em que estudava no ensino secundário e trabalhava à noite a tomar conta de três irmãos.

Quando os deitava a dormir começava a escrever uns poemas, que eram meros desabafos.

- Qual ou quais são as suas inspirações para escrever?

A minha grande inspiração são as pessoas e as suas dores e preocupações. É sobre as pessoas que escrevo e é para elas que o faço.

- Como começou a sua carreira? Qual foi o 1º passo que deu para esta grande aventura?

Quando surgiu uma oportunidade de lançar um livro agarrei-a com gosto, mas sem grande ambição. No entanto. as coisas foram andando e ganhando forma e eu fui acompanhando a evolução com novas metas pessoais.

O primeiro passo de querer lançar um livro foi importante, mas de pouco vale montares a bicicleta se não deres ao pedal. E eu dei muito ao pedal e continuo a dar para não cair.

Como foi o seu percurso até chegar ao “sucesso”?

Foi ir escrevendo e ir mostrando sempre às pessoas o que escrevia. Foram elas que me guiaram até ao sucesso. Fui conquistando as suas leituras pouco a pouco, uma a uma. Nada me caiu do céu. E o sucesso alcançado com o 'Larga quem não te agarra' já estava a ser trabalhado há anos.

- Quais os acontecimentos mais marcantes para ter desenvolvido as suas capacidades?

Tive alguns acontecimentos menos felizes.

A perda do meu pai quando tinha apenas 12 anos, o ter de começar a trabalhar cedo foram alguns deles. Sempre me foi incutido o espírito trabalhador e isso ajudou-me muito a alcançar as coisas que pretendia.

- Quantas horas por dia costuma escrever? Como organiza a sua escrita?

Quando estou envolvido num livro concentro a escrita num período de 2 a 3 meses e durante esse espaço de tempo escrevo entre 10 a 13 horas por dia. Fora isso apenas escrevo esporadicamente para o meu blogue e redes sociais.

- Sempre gostou de escrever ou foi um gosto adquirido?

Fui adquirindo e desenvolvendo esse gosto. Tal como muitos outros. Gosto de fazer muitas coisas e algumas delas até mais do que escrever. Mas nem todas elas merecem tanto do meu tempo como escrever.

Em que se baseou para as suas obras mais populares?

São obras baseadas na realidade. Ainda que se trate de ficção, tudo o que está lá é o que acontece na vida de todos nós. Daí eu me ter baseado na vida das pessoas que eu conheço, na minha vida e ainda no que a minha imaginação conseguiu produzir em função dos meus conhecimentos de causa.

- Quando começou a sua carreira, sentiu que tinha ainda muitos obstáculos por alcançar?

Quando comecei não tinha nada. Nem sequer bases. Na minha família nunca houve sequer o apelo à leitura, à escrita ou à arte em geral. Sempre tive de fazer tudo por mim e pela minha cabeça e isso obrigou-me a desenvolver capacidades de me desenrascar. O meio em que estava inserido foi o grande obstáculo. Mas também sou a prova de que não é motivo para não chegar a algum lado.

- Num dia normal, o que costuma fazer?

Passo o meu dia agarrado ao computador. Gerir as redes sociais. Facebook, Instagram, blogue, YouTube.

Leio as notícias, respondo às mensagens dos meus leitores, crio conteúdos. E, quando tenho de escrever um livro, faço tudo isto e mais as tais 10 horas de escrita. Sou eu que trato de tudo na minha actividade.

É a sua fé, a sua esperança que o guia para escrever palavras sobre a vida? Baseia-se principalmente na sua vida e na de quem o rodeia?

O que me move e guia é a vontade de ajudar alguém a melhorar a sua vida com as minhas palavras. Se eu consigo fazê-lo então a minha missão está cumprida. Esse é o objectivo máximo da Literatura: melhorar a humanidade. Da literatura e da arte em geral. Transmitir mensagens que possam melhorar nem que seja um bocadinho a vida de alguém e, com isso, a humanidade.

Tem o dom de mostrar muito com poucas palavras como o consegue? É algo natural em si?

Foi algo que fui desenvolvendo quando decidi escrever o livro 'Dá-me um dia para mudar a tua vida', inicialmente publicado em 2015 com o título 'Fome'. Percebi que não é preciso muitas palavras para se transmitir uma grande mensagem. E usei essa máxima para escrever este livro que é exactamente só de mensagens curtas, mas muito fortes.

A sua escrita é sempre tão positiva que deixa a dúvida: existe algo que o faça sentir-se triste?

A escrita é positiva, mas tem um fundo negativo. Mas é precisamente essa a intenção, agarrar nas coisas más e dar-lhes cor e ânimo.

Tudo o que de mal nos acontece tem um lado bom. E eu gosto de o explorar.

Só existe uma vida. Sente que aproveita a sua ao máximo mesmo tendo tanto trabalho regularmente? Sente que aproveita ao máximo cada minuto?

Não a aproveito mais porque não me predisponho a isso. Não é por falta de oportunidade. Mas estou bem, tranquilo e feliz. O trabalho faz parte e nos momentos de aproveitar e me divertir faço-o mesmo. Tudo tem o seu momento.

- Considera-se uma pessoa realizada que atingiu os seus objectivos? Ou ainda existe muito por alcançar?

Sinto-me grato todos os dias por aquilo que alcancei. Com esforço e trabalho.

Sinto-me grato por tudo isso. Mas quero sempre mais também, com humildade, mas quero sempre mais. E este é o caminho. Sentirmo-nos gratos por aquilo que temos, mas lutar para conquistar mais. Acima de tudo a nível interior.

Como imagina a sua vida daqui a 10 anos?

Não penso a tão longo prazo. Mas imagino coisas boas. E espero coisas boas. Mas, mais do isso, eu sei que lutarei por essas coisas boas. Façamos todos isso.

- Qual ou quais os escritores a nivel internacional que mais gosta e que o inspiram? E porquê?

Daqueles que conheço, o que mais gosto é Simon Beckett. Foi um dos autores que me despertou para a leitura.

Escreve policiais.

- Aos seus leitores que pretendem um dia também poderem ser escritores, qual ou quais os seus principais conselhos?

Que escrevam e mostrem o que escrevem. Que dêem a ler sem complexos de serem corrigidos ou criticados. É preciso expor e mostrar. Uma obra de arte escondida, não é uma obra de arte. Aliás, nem sequer existe. E que trabalhem sempre, diariamente, pelos seus objectivos. Sem obsessão nem ansiedade. Apenas com a confiança natural de que estão no caminho que querem e se sentem bem.

- Por de trás de um grande escritor, existe uma grande história, qual é a sua?

A minha história é uma história de poucos recursos, mas muitos sonhos e muita vontade de os alcançar.

A dor não existe para nos enfraquecer, apenas para nos proteger e criar defesas.

- Se pudesse dizer algo ao mundo que marcasse uma era, o que diria?

Não te assustes com a palavra desistir, uma porta pode ter de ser fechada para outra se abrir. Foi isto que aconteceu comigo.

Para concluir, quem é o Raul Minh’alma?

É um tipo engraçado, sonhador e bom rapaz. Ainda que muitas vezes nem ele acredite nisso. Mas é. Sejamos todos, então.

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