Louise Elisabeth Glück, de 77 anos, foi o nome anunciado pela Academia Sueca esta quinta-feira, 8 de Outubro, como Prémio Nobel da Literatura 2020. A cerimónia foi transmitida online a partir da cidade de Estocolmo.

O Prémio Nobel de Literatura é um prémio literário sueco que é concedido anualmente, desde 1901, a um autor de qualquer país que, nas palavras da vontade do industrial sueco Alfred Nobel, produziu "no campo da literatura o trabalho mais notável numa direção ideal”.

Desde Maio que tinham sido escolhidos, de uma lista de 200 autores, os cinco candidatos finais. A escolhida recolheu pelo menos um voto a mais do que a metade das indicações do júri.

O Júri escolheu-a pela “sua inconfundível voz poética que com austera beleza torna universal a existência individual”. Actualmente, a poetisa encontra-se a viver na cidade de Cambridge, nos Estados Unidos e é professora de Língua Inglesa na Universidade de Yale.

O vídeo do anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2020:

Quem é Louise Glück

Glück nasceu em Nova Iorque no dia 22 de Abril de 1943 e foi criada em Long Island, em Nova Iorque. Ela começou a sofrer de anorexia nervosa enquanto adolescente e mais tarde superou a doença. Teve aulas na Sarah Lawrence College e na Universidade de Columbia, mas não obteve um diploma.

Iniciou-se na escrita em 1968, publicando a sua primeira coleção de poemas, "Firstborn", que recebeu alguma atenção crítica positiva.

Em 1980, a terceira coleção de Glück, "Descending Figure", foi publicada. Recebeu algumas críticas pelo seu tom e temas, mas, no geral, o livro foi bem recebido. No mesmo ano, um incêndio destruiu a casa da autora em Vermont, resultando na perda de todos os seus pertences e, devido a esse acontecimento, começou a escrever os poemas que mais tarde seriam lançados na sua obra premiada, "The Triumph of Achilles" (1985).

Glück recebeu inúmeras homenagens pelo seu trabalho: O Prémio Pulitzer, conquistado em 1993 com a obra "The Wild Iris, Faithful and Virtuous Night", a mais recente obra poética, de 2014, valeu-lhe o Prémio National Book Award, nos Estados Unidos. Ainda recebeu o Prémio Nacional do Livro, o Prémio Nacional Book Critics Circle Award, o Prémio Bollingen, entre outros.

Em 2015, o então Presidente dos Estados Unidos Barack Obama condecorou Louise Glück com a Medalha Nacional de Artes e Humanidades, elogiando os seus poemas.

De 2003 a 2004, foi laureada como a Poetisa dos Estados Unidos. Glück é descrita como uma poetisa autobiográfica; o seu trabalho é conhecido pela sua intensidade emocional e por frequentemente se basear em mitos, história ou natureza para meditar sobre experiências pessoais e a vida moderna. Nenhuma das suas obras ainda teve tradução para língua portuguesa.

Além da carreira de autora, fez carreira na academia como professora de poesia em diversas instituições.

A poetisa é bem conhecida na Suécia, onde recebeu neste ano o Prémio Tranströmer (Tomas Tranströmer é o poeta sueco nobelizado em 2011) por "uma poesia que com exactidão e negrura faz ressoar o pessoal desde um fundo mitológico e histórico".

Ainda falta caminhar para a igualdade

Louise Glück é a 16ª mulher a vencer o Nobel da Literatura desde a sua criação, em 1901, e uma das poucas norte-americanas a recebê-lo. Apesar de os Estados Unidos da América serem o segundo país com maior número de laureados, com 14 vencedores, Glück é apenas a terceira mulher galardoada e a primeira poetisa norte-americana. Antes dela, foram galardoadas Toni Morrison, em 1993, e Pearl S. Buck, em 1938, ambas romancistas.

O cenário continua desanimador, mas talvez a escolha de Glück seja um sinal de que a Academia Sueca está finalmente pronta para abraçar a mudança. Relembrando que em cinco anos venceram três mulheres (a polaca Olga Tokarczuk venceu o prémio em 2018, e a bielorrussa Svetlana Alexievich venceu em 2015).

Era, aliás, o nome de uma mulher que leitores e críticos queriam ver ser anunciado esta quinta-feira.

Glück sucede, assim, ao escritor austríaco Peter Handke. A escolha feita no ano passado da Academia Sueca foi polémica e gerou contestação dentro e fora do universo literário devido às acusações graves que pairam sobre o autor.

O Prémio Nobel da Literatura tem o valor pecuniário de cerca de 1 milhão de euros. Ao contrário de anos anteriores, o vencedor não irá reunir-se em Estocolmo com os outros vencedores devido à “situação pandémica”. A cerimónia do prémio será transmitida online, à excepção de uma reduzida plateia que estará no edifício da Câmara de Estocolmo, na Suécia, com sessões individuais para cada categoria no dia 10 de Dezembro.

Obras publicadas de Louise Glück:

Firstborn (The New American Library, 1968)

The House on Marshland (The Ecco Press, 1975)

Descending Figure (The Ecco Press, 1980)

The Triumph of Achilles (The Ecco Press, 1985)

Ararat (The Ecco Press, 1990)

The Wild Iris (The Ecco Press, 1992)

The First Four Books of Poems (The Ecco Press, 1995)

Meadowlands (The Ecco Press, 1997)

Vita Nova (The Ecco Press, 1999)

The Seven Ages (The Ecco Press, 2001)

Averno (Farrar, Strauss and Giroux, 2006)

A Village Life (Farrar, Strauss and Giroux, 2009)

Poems: 1962-2012 (Farrar, Strauss and Giroux, 2012)

Faithful and Virtuous Night (Farrar, Strauss and Giroux, 2014)

Conheça os vencedores do Prémio Nobel da Literatura nos últimos dez anos:

Mario Vargas Llosa – 2010

Tomas Tranströmer – 2011

Mo Yan – 2012

Alice Munro – 2013

Patrick Modiano – 2014

Svetlana Alexijevich – 2015

Bob Dylan – 2016

Kazuo Ishiguro – 2017

Olga Tokarczuk – 2018

Peter Handke – 2019

Louise Glück – 2020

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