No dia em que se ficou a conhecer a suspensão de 11 meses ao atleta "Pirata" do GD Resende por ter agredido um árbitro em Dezembro último, João Caiado, Presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Associação de Futebol de Viseu (AFV), falou pela primeira vez dos casos de violência no futebol viseense. Identificando os problemas, o líder máximo do órgão que rege os homens do apito confirmou que a preocupação é grande e que as medidas estão prestes a ser tomadas. A AFV vai exigir que o policiamento nos jogos volte a ser obrigatório. E já a partir na próxima jornada.

Em entrevista concedida à Rádio Desporto nas Beiras, João Caiado não teve problemas em culpar os denominados Assistentes de Recintos Desportivos (ARD) como elementos catalisadores dos recentes casos de agressões.

Admitindo a gravidade dos últimos acontecimentos, o presidente do Conselho de Arbitragem afirmou que um destes ARD's agrediu António Rocha em Oliveira do Douro: "Antigamente com a polícia presente não se passavam estes casos. O que verificamos é que os ARD's não têm o comportamento mais digno. Nesta última agressão [Oliveira do Douro - Vilamaiorense], foram os dirigentes e o próprio ARD que bateram no árbitro. Eu penso que isto esclarece tudo. É gravíssimo".

Garantindo ainda que a Direcção da Associação de Futebol de Viseu vai reunir este fim-de-semana de forma extraordinária, João Caiado afirmou que o órgão máximo do futebol no Distrito vai tomar medidas, passando pelo regresso do policiamento às partidas de futebol. Serviço esse a pagar pelos clubes, que mesmo assim, no entender do Presidente do CA, será sempre mais barato do que pagar multas: "Um guarda ganha 37,60 euros por jogo.

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Ora fazendo a conta, um jogo custa ao clube da casa cerca de 112 euros, ou seja, muito mais barato do que as coimas relativas à agressão a um árbitro. Já para não falar se este não os levar a tribunal para ser indemnizado".

Violência e falta de cultura desportiva está a afastar jovens árbitros do futebol

Com os casos de violência sobre os homens do apito a ocorrerem em catadupa, João Caiado admitiu nesta entrevista à Rádio Desporto nas Beiras que é cada vez mais complicado manter os jovens árbitros no futebol viseense: "Acaba por ser normal, um jovem de 16 ou 17 anos, ao ver-se envolvido numa situação em que está rodeado de adeptos que o estão agredir, que não queira voltar a arbitrar". Também os mais variados casos em que são os próprios familiares dos futebolistas jovens a incitar os filhos à violência são um sinónimo claro da falta de cultura desportiva que invadiu o futebol viseense em particular.

No entanto, e dado o elevado valor do investimento nos juízes, João Caiado considera que os cerca de 200 mil euros anuais sejam melhor aproveitados, de forma a que se dê mais e melhores condições à arbitragem viseense.

Actualmente a Associação de Futebol de Viseu tem mais de 200 árbitros no activo, esperando que já daqui a 8 dias, estes voltem a ter todas as condições de segurança para poderem desempenhar, de forma segura, a sua actividade.