O Futebol e a sociedade espanhola têm mais um problema entre mãos. Pela segunda vez em poucos anos, Athletic Bilbau e Barcelona qualificaram-se para a final da Taça do Rei. Quer isto dizer que os maiores emblemas das duas regiões com maiores ambições nacionalistas no país vizinho vão estar representadas. Como aconteceu no passado, é mais que certo que o jogo vai ser aproveitado para fins políticos e o hino espanhol deverá ser acompanhado por uma monumental assobiadela. A questão é apenas onde é que isso irá acontecer.

Ainda antes do Barcelona ter eliminado o Villarreal nas meias-finais, já chegavam notícias da Catalunha que davam conta do desejo dos culés: jogar a final no Santiago Bernabéu, na capital do país e casa do grande rival Real Madrid.

A mesma intenção foi também veiculada pelos bascos do Athletic Bilbau, que deixaram pelo caminho o Espanyol.

O Real Madrid já disse claramente que não deseja ceder o seu terreno para esta partida, mas a palavra final caberá à Real Federação Espanhola de Futebol. Além do anfiteatro merengue, as restantes opções passam pelo Camp Nou (Barcelona), San Mamés (Bilbau), Mestalla (Valência) e Cartuja (Sevilha). Uma vez que os dois primeiros pertencem aos dois finalistas, as últimas duas serão as escolhas mais prováveis.

Hoje, os diários desportivos da Catalunha - Sport e Mundo Deportivo - deram grande destaque e demonstraram indignação pelas palavras de Esperanza Aguirre, líder do Partido Popular (PP) de Madrid e candidata à câmara da cidade, que pediu, num artigo publicado no jornal El Mundo, que estas duas equipas "se abstenham de competir no campeonato espanhol".

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"Outra vez chegam estes dois clubes à final. E outra vez se anuncia que os adeptos aproveitarão a final da Taça para mostrar o ódio aos outros assobiando o hino e o rei", escreveu Aguirre, que recordou: "Aproveitam a solenidade lógica do acto para exibir o seu ódio em relação ao resto dos espanhóis (…) que não têm de aguentar estes actos ofensivos".

Esperanza dá como exemplo o que fez o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, que suspendeu um jogo e o ordenou que fosse jogado dias mais tarde e à porta fechada devido aos contínuos assobios ao hino de França, "A Marselhesa". A candidata à autarquia de Madrid reiterou que "faz pouco sentido que quem menospreza o conjunto de cidadãos que formam a nação espanhola se apresente numa competição que dá a quem a ganha o reconhecimento dos demais cidadãos e um prémio que tem o nome do rei". Por último, a líder do PP Madrid assegurou que a participação no campeonato de Espanha "é livre, mas quem participa e chega à final não pode faltar ao respeito ao conjunto de espanhóis que patrocinam a competição".

Do País Basco, também chegaram reacções, mas apontadas a Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, que não cedeu o Santiago Bernabéu. O presidente do Partido Nacionalista Basco, Andoni Ortuzar, considerou "escandaloso" que o dirigente blanco "possa decidir" onde se joga a final. "Parece o dono de Espanha", disse o político nacionalista à Radio Euskadi. "Qualquer cidade gostaria de receber a final, mas parece que Florentino não quer ver nem ikurriñas [bandeiras bascas] nem señeras [bandeiras catalãs] no seu estádio. De qualquer maneira, onde não nos querem, não vamos", declarou.