O Campeonato do Mundo não correu bem à seleção argentina. Aliás, as coisas já não corriam bem há alguns meses, mas o torneio agravou a situação. A equipa só se qualificou no último jogo para a Rússia e se muitos ainda acreditavam que Messi e companhia seriam capazes de reverter um cenário pior, a verdade é que não aconteceu. A seleção, duas vezes campeã do mundo no passado e que foi finalista em 2014, não foi além dos oitavos-de-final na Rússia e deixou uma má imagem. Lionel Messi não conseguiu brilhar numa equipa que nunca se conseguiu encontrar. O treinador Jorge Sampaoli rescindiu com a federação argentina no final do Mundial, mas durante a prova as coisas estiveram muito complicadas, como revelou agora Ariel Senosiain, jornalista argentino da TyC Sports e colunista do Olé, no seu livro "Mundial es Historias."

Reunião acesa entre jogadores e treinadores

Tudo se precipitou depois do segundo encontro do torneio.

A Argentina perdeu 3-0 contra a Croácia, já depois de ter empatado a um golo contra a Islândia. Por essa altura, a equipa estava quase fora de prova e instalou-se a confusão, de acordo com o jornalista. No dia seguinte ao jogo, os jogadores quiseram falar com Sampaoli. Na reunião, estiveram presentes os 23 jogadores, Sampaoli, dois dos seus assistentes, Sebastián Beccacece e Lionel Scaloni, e o presidente da federação, Claudio Tapia. Aí, teria ficado provado que já ninguém se entendia e que os jogadores não conseguiam confiar no treinador.

De acordo com o jornalista, os jogadores criticaram completamente o treinador, frente a frente. Liderados por Mascherano e Messi, os capitães de equipa, os jogadores mostraram que não concordavam com as escolhas dele, com a maneira como ele treinava, formava a equipa, e nem com o lado mais emocional e inseguro que ele ia mostrando.

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Quem estaria mais descontrolado, segundo o jornalista, era mesmo Messi. E já que era para desabafar, Messi falou tudo o que lhe ia na alma.

Messi pôs fim ao rumor

A estrela da seleção é muitas vezes acusada de "mandar na seleção" e ter demasiado poder na formação das equipas e nas escolhas dos jogadores. Para provar que esse rumor é falso, o astro do Barcelona enfrentou Sampaoli, na frente de todos, para que ele esclarecesse essa questão. "Perguntaste-me dez vezes quais jogadores eu queria que pusesses e quais não, e eu nunca te disse um único nome. Diz-me diante de todos se alguma vez te nomeei alguém", teria dito Messi, segundo o jornalista, no livro "Mundial es Historias."

Depois disto, e sem que o treinador o pudesse negar, os jogadores pediram ainda o direito a serem ouvidos. "Já não nos chega o que dizem, já não confiamos em vocês. Queremos ter uma opinião", pediu a equipa. Sampaoli teria sido surpreendido por esse pedido dos seus jogadores, e perguntou-lhes o que eles queriam dizer com isso: "Opinião sobre o quê?", e recebeu uma resposta categórica: "em tudo."

Treinador cedeu ao pedido dos jogadores

O presidente da federação, Claudio Tapia, assistiu a tudo sem se pronunciar até esse momento.

Perante o pedido dos 23 jogadores que estavam na Rússia, e em vésperas de um encontro decisivo contra a Nigéria, Tapia dirigiu-se apenas a Sampaoli: "Vocês têm que ceder." E, segundo o jornalista, foi mesmo isso que aconteceu, terminando dessa forma a reunião. Um dos assistentes ainda pensou em renunciar, mas acabou por aceitar e ficar do lado de Sampaoli e restantes adjuntos.

A verdade é que depois da referida reunião, a Argentina apareceu com uma equipa completamente diferente em campo. Foram cinco alterações diretas, e o resultado foi o mais desejado. A seleção ganhou à Nigéria (2-1) e conseguiu a qualificação para os oitavos-de-final. No jogo seguinte, a equipa voltou a mudar, mas uma derrota por 4-3 contra a França, que se sagraria campeã do mundo, terminou com o sonho dos argentinos, que foram embora mais cedo.

Depois disso, Jorge Sampaoli chegou a acordo com a seleção para a sua saída. O treinador deverá receber perto de 2 milhões de euros, mas a Argentina ainda não anunciou o novo treinador.