A Juventus tem dominado o futebol italiano e venceu os últimos sete campeonatos. A construção de plantéis fortes e equilibrados é um dos motivos para o sucesso do clube de Turim. No entanto, desde a época 2009/2010 que não havia portugueses na equipa. O último foi Tiago, que representou a Juventus durante três anos. Deste modo, as conquistas que o clube tem tido recentemente não tiveram a participação de jogadores portugueses.

Essa situação alterou-se este ano com a chegada de João Cancelo e Cristiano Ronaldo. O primeiro é lateral direito e pertencia ao Valência. Na última época esteve emprestado ao Inter de Milão, mas o clube não exerceu a opção de compra e assim surgiu a hipótese de ingressar na Juventus.

O jogador já conhece o futebol italiano e isso pode ser importante para a adaptação ao novo clube. A Juventus pagou 40.4 milhões euros ao Valência e Cancelo tornou-se um dos laterais direitos mais caros de sempre, apenas superado por Kylie Walker que custou 52,7 milhões de euros ao Manchester City em 2017 e Liliam Thuram que custou 41,5 milhões de euros também à Juventus em 2001.

João Cancelo foi apresentado à comunicação social em julho, assinou por cinco anos e irá receber três milhões de euros por época. O jogador português irá ocupar a vaga no lado direito da defesa após a saída do suíço Lichtsteiner para o Arsenal.

A loucura CR7

A maior contratação do clube e do mercado de transferências deste verão foi outro português, Cristiano Ronaldo. Tal como Cancelo, é agenciado por Jorge Mendes e esse aspeto teve influência na concretização desta transferência.

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A chegada de Cancelo antes de Ronaldo funcionou como uma oportunidade de adquirir outro jogador português. A boa receção dos adeptos italianos quando Ronaldo marcou golo de bicicleta no estádio de Turim na última edição da Liga dos Campeões foi importante para a decisão do jogador em rumar a Itália.

Em Madrid esteve nove temporadas e marcou 450 golos em 438 jogos, sendo assim o melhor marcador do clube. Ronaldo decidiu escolher outro rumo para a sua carrreira e assinou por quatro anos com a Juventus. Neste período irá ter um salário de 120 milhões de euros no total (30 milhões por época). É um valor muito superior ao resto da equipa, pois os cinco jogadores que ganham mais (Higuaín, Dybala, Douglas Costa, Pjanic e Khedira) recebem um total de 29 milhões de euros. Ao receber este salário, será o terceiro jogador mais bem pago do mundo, só superado por Neymar que recebe 36 milhões do PSG e Messi que tem um salário de 40 milhões no Barcelona. No Real Madrid, CR7 ganhava 21 milhões de euros e os impostos eram mais elevados do que em Itália.

O clube de Turim irá pagar 100 milhões de euros ao Real Madrid mais 12 milhões contando com o mecanismo de solidariedade da FIFA que premeia os clubes que formaram o jogador. Deste modo, Nacional e Sporting irão receber uma pequena percentagem desta transferência, além de encargos acessórios como comissões ao agente do jogador.

Aposta com retorno garantido

A Juventus apostou forte na contratação de Ronaldo de forma a dotar a equipa de um jogador de categoria superior, que atualmente é o Bola de Ouro, para poder rivalizar com os melhores da Europa na Liga dos Campeões. Nos últimos anos a Juventus chegou a duas finais da principal competição europeia (2015 e 2017) e pretende vencê-la novamente após ter conquistado a taça em 1985 contra o Liverpool e 1996 contra o Ajax. Com a vinda de Ronaldo essa possibilidade torna-se mais real, caso o clube mantenha os seus principais jogadores e contrate outros de qualidade.

Além disso, a Serie A recupera a visibilidade e prestígio que tinha nos anos 80 e 90 em termos internacionais. Nas últimas décadas perdeu algum fulgor, apesar de continuar a ser um dos principais campeonatos da Europa. Os maiores rivais na luta pelo o título Nápoles, Roma, Milan e Inter efetuaram boas contratações como resposta à chegada de Ronaldo e também para contrariar o domínio da Juventus no futebol italiano.

O presidente da Juventus é sócio da FIAT, marca automóvel sediada em Turim, e que será uma das financiadoras deste negócio. A venda de camisolas é outro meio para rentabilizar o investimento e nos primeiros dias o clube vendeu cerca de 600 mil camisolas de Ronaldo. Na loja da Juventus custa no mínimo 104 euros e por isso já foram comercializados mais de 62 milhões de euros. No entanto, a Juventus recebe apenas cerca de 20 % do preço de cada camisola, sendo que o resto vai para a marca Adidas.

Os patrocínios, a venda de bilhetes e os direitos televisivos são outros fatores que terão influência no crescimento das receitas do clube e consequentemente haverá um retorno financeiro após o grande investimento que vão ter com o Bola de Ouro português. Mesmo em termos de redes sociais já se nota uma mudança visto que os seguidores da Juventus tem aumentado, revelando um maior interesse no clube italiano.

Ligação lusitana à Juventus

Antes de chegarem Cancelo e Ronaldo, passaram pela Juventus cinco jogadores portugueses. O primeiro foi Rui Barros transferido do Porto e fez um total de 18 golos e 83 jogos em duas épocas (1988/89 e 1989/90). Era pequeno na altura mas conseguiu mostrar o seu valor em Itália num campeonato que atravessava um período dourado e tinha diversos jogadores de categoria como Maradona, Gullit, Van Basten e Laudrup. No último ano que esteve no clube, venceu a Taça de Itália e a Taça UEFA e rumou posteriormente ao Monaco.

Na década de 90 chegou Paulo Sousa proveniente do Sporting e foi campeão europeu em 1996, ano da última Liga dos Campeões conquistada pelo clube. No ano seguinte venceu a mesma competição com o Borussia Dortmund e encontrou na final o seu anterior clube. Fez 78 jogos e 2 golos em Turim em duas épocas (1994/95 e 1995/96) e exibiu-se a grande nível, tal como aconteceu com Rui Barros. No primeiro ano em Itália foi considerado o melhor estrangeiro da Serie A. Na Juventus também conquistou um Campeonato, uma Taça de Itália e uma Supertaça.

Na época a seguir à saída de Paulo Sousa, foi contratado Dimas que jogava no Benfica. Fez 48 jogos sem marcar qualquer golo em duas épocas completas (1996/97 e 1997/98), mais dois jogos no início do ano seguinte (1998/99) antes de ir para o Fenerbahce. Conseguiu vencer dois Campeonatos Italianos com a Juventus e ter uma etapa positiva na carreira ao jogar em Turim.

Foi preciso esperar cerca de dez anos para voltar a ter jogadores portugueses na equipa. Isto aconteceu na época 2007/2008 após o clube ter passado pela segunda divisão devido ao escândalo do Calciocaos. Nessa temporada chegaram a Turim dois jogadores portugueses, tal como acontece este ano. O primeiro foi Jorge Andrade proveniente do Deportivo, mas que devido a lesões apenas fez cinco jogos (sem golos). Por esse motivo teve que terminar a carreira aos 31 anos.

Depois foi contratado Tiago ao Lyon, que ficou no clube dois anos e meio (até 2009/2010). Fez 53 jogos e não marcou nenhum golo na sua passagem pelo clube. Foi vendido ao Atlético de Madrid onde acabou a carreira. Ambos os jogadores não obtiveram qualquer titulo em Itália, visto que neste período o clube não tinha o domínio que tem hoje e em termos individuais também não correu da forma desejada.