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Samuel Eto'o, atacante camaronês, deu uma entrevista muito reveladora, sobre o seu futuro, mas também sobre a atualidade do futebol. Neste sentido, o jogador, de 37 anos, não fugiu a um dos temas que o afetou na sua carreira e que parece deter ainda grande destaque por estes dias: o racismo. Em declarações ao Canal+, o jogador aconselhou os "jogadores de cor", a saírem de campo, a deixarem de jogar, dizendo que só assim, as pessoas olhariam devidamente para o problema do racismo.

Eto'o comentou ainda sobre o que ele considera ser a descriminação dos treinadores negros que, na sua óptica, continuam a ser olhados como de "segundo nível", uma situação que ele pretende ajudar a mudar.

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Racismo no futebol

Esta temporada tem sido particularmente recheada em casos de racismo no futebol mundial. Raheem Sterling do Manchester City, e Koulibaly do Nápoles foram insultados por adeptos dos adversários, e Aubameyang viu ser-lhe atirada uma banana na sua direção em momentos muito feitos, nos campeonatos inglês e italiano.

Na Inglaterra, os adeptos foram identificados e irradiados dos estádios e, no caso de Koulibaly, o Inter de Milão, foi castigado com dois jogos de castigo à porta fechada, pelo comportamento racista dos seus adeptos.

No entanto, para Samuel Eto'o, as soluções ainda não são suficientes e, para ele, o racismo só poderá ter um fim, quando os jogadores negros fizerem um boicote total. "Se os jogadores de cor disserem que não jogam, muita gente vai perder dinheiro", começou por dizer Eto'o, antes de concluir que quando a questão for económica, quando perderem dinheiro, aí "podem ter a certeza que vão encontrar soluções".

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Eto'o, no seu passado, também foi alvo de ataques racistas, nomeadamente quando jogou no Barcelona e no Inter de Milão. Atualmente, aos 37 anos, o jogador camaronês está no Catar, mas já pensa no final da carreira.

A imagem dos treinadores negros

Um outro problema que a ex-estrela do Barcelona, ​​Samuel Eto'o, quis identificar nesta entrevista ao Canal+ foi sobre os treinadores negros, que na sua opinião continuam a ser vistos como "cidadãos de segunda classe" e não recebem a confiança que merecem, nem as oportunidades que outros treinadores têm.

O jogador diz que se imagina a ser treinador no futuro, mas sabe que há "fatores" que jogam contra ele, precisamente por causa da sua cor. "Muitos ex-jogadores negros não recebem a licença de treinador, mas também há muitos que a têm. Há falta de confiança", disse o jogador, acusando os clubes de não contratarem treinadores de cor, negando-lhes oportunidades.

E a opinião de Eto'o tem validade para Jonathan Liew, do Independent, que aponta várias estatísticas de que os treinadores negros não têm as mesmas oportunidades dos treinadores brancos no futebol inglês.