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Os centros históricos são a chave do futuro das nossas cidades. Todas as principais cidades portuguesas, e muitas vilas, padecem do mesmo problema. Casas antigas, por vezes seculares, em ruínas, ou sem condições de habitabilidade. Mais do que um problema, é uma oportunidade. Em décadas de expansão do automóvel e da gasolina barata, as cidades cresceram sem preocupações. Hoje, gastamos milhões em combustível, com os centros quase desabitados.

Muitos defenderam o fim do automóvel, a promoção da bicicleta, o desenvolvimento de atividades ao ar livre, e também apoio monetário para a reabilitação. Os lojistas queixaram-se das restrições ao automóvel, mas eles sabem que a rua, em acesso e estacionamento, nunca poderá competir com um shopping.

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Mas houve duas questões sem resposta. Mesmo que os empresários apostem na reabilitação, que tipo de casas são necessárias? A classe média, mesmo a que não tem dinheiro, valoriza tudo: uma garagem para o carro, uma arrecadação, vários quartos, WC completo, um elevador. Logo, muitos vêem nos centros históricos um tipo de habitação adequada ao arrendamento, e para estudantes ou para casais jovens sem filhos, onde estejam de forma temporária. A restrição ao automóvel torna-se benéfica, porque limitada aos moradores.

Os empresários podem arriscar, mas há a outra questão. Têm eles incentivo para o fazer? Para isso, é antes de mais necessário que os municípios garantam um esforço concertada, que as zonas históricas se tornem locais aprazíveis, sem que casas renovadas convivam com ruínas.

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É necessário também que o arrendamento se adeque às realidades actuais. Os empresários não podem ter medo de investir em arrendamento por não virem a obter lucro, porque o inquilino deixa de pagar e se torna difícil resolver a situação. Não é só o senhorio que sofre: é também o inquilino cumpridor que sofre, sabendo que paga um preço maior de renda porque o risco, para o proprietário, é maior do que se tivesse vendido o imóvel. E com a situação do crédito à habitação malparado, com a instabilidade laboral, é necessário repensar também o velho sonho do proprietário. Se os bancos não podem emprestar, os preços de renda têm que ser mais baixos e o mercado mais fluído e flexível, para que os centros da cidade ganhem vida - e a economia em geral se torne mais dinâmica.

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E sim, para o Estado é uma oportunidade de investimento público. Promover o regresso das pessoas ao centro, dinamizar a construção civil (na óptica da reabilitação), facilitar a gestão rodoviária e ambiental das ciades e áreas metropolitanas, reduzir custos para todos, os objectivos são vários. Voltar a fazer da cidade um ponto de habitação é uma necessidade e uma oportunidade.