Mantém-se o braço de ferro entre os trabalhadores da TAP (Transportes Aéreos Portugueses) e o Governo. Em resposta ao pré-aviso de greve que promete a supressão de vários serviços entre os dias 27 e 30 de Dezembro, o executivo, pela voz do Ministro da Economia, António Pires de Lima, anunciou ao começo desta tarde que vai decretar a requisição civil.

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Na prática, esta medida significa que os trabalhadores da transportadora aérea serão obrigados a apresentar-se ao serviço nos dias em questão, sob pena de poderem ser responsabilizados, em caso de ausência.

A medida, inédita nesta legislatura, foi anunciada após uma reunião do Conselho de Ministros e tem, como principal argumento o período sensível (Natal e Ano Novo) para o qual a greve foi convocada. Pires de Lima afirmou que "uma situação excepcional exige a tomada de uma medida excepcional", tendo mencionado, posteriormente, as dificuldades acrescidas que, no caso de uma paralisação como esta ser levada a cabo, ficariam reservadas aos milhares de emigrantes portugueses que procuram regressar e partir de Portugal nesta fase do ano.

Requisição civil já tinha sido decretada em 1997.
Requisição civil já tinha sido decretada em 1997.

Já outro dos argumentos mencionados passou pelos graves prejuízos que afectariam o sector do turismo.

Recorde-se que, até hoje, a requisição civil foi decretada apenas uma vez na TAP. Aconteceu em 1997 mas, dezassete anos depois, voltará a repetir-se. Entretanto, a hipótese desta implementação da requisição civil já tinha merecido ontem a desaprovação do porta-voz dos trabalhadores da TAP, Vítor Beata, que falou numa "provocação", acusando o actual executivo de colocar "em causa a lei da greve", um gesto que descreveu como "muito perigoso".

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Figuras públicas movem-se contra privatização

Por detrás do pré-aviso de greve que tem movido sindicatos e funcionários da empresa está a intenção, assumida pelo Governo, de privatizar a transportadora aérea. Entretanto, nos últimos dias, têm sido várias as figuras públicas a manifestar-se contra a venda da TAP. Na internet, corre um manifesto intitulado 'Não TAP os Olhos', iniciativa que já conta com o apoio de assinantes como Daniel Oliveira, Miguel Sousa Tavares, Mário Soares, Sérgio Godinho ou Tony Carreira.

A ideia para o manifesto partiu do cineasta António-Pedro Vasconcelos e tem por objectivo mobilizar os portugueses que se insurgem contra a privatização da empresa numa acção de protesto que, segundo espera, poderá levar a uma outra consciencialização do problema, bem como à exigência da criação de "um referendo" sobre a questão.

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