A agência norte-americana decidiu na passada sexta-feira, dia 20, manter o rating de Portugal em BB, ainda considerado 'lixo', mas melhorou a perspetiva de estável para positiva. Em efeitos práticos, existe, agora, mais possibilidades de, a curto-prazo, se verificar uma subida no rating. De acordo com a Standard & Poor's, a economia portuguesa deverá crescer mais do que o previsto pelo Governo de Passos Coelho. No entanto, este crescimento deve ser acompanhado por um aumento do défice em 2,9%, sendo maior do que o esperado pelo executivo. Também a nota atribuída à dívida pública portuguesa não sofre alterações, embora a perspetiva tenha passado para positiva.

Anunciada esta sexta-feira, a decisão da agência norte-americana prevê que a economia portuguesa comece a crescer de forma mais sólida até 2017, esperando um crescimento de 1,7% este ano e de 1,8% de 2016 em diante. O motor do crescimento deverá ser a recuperação no investimento. O rating de Portugal permanece na categoria BB, sendo, portanto, considerada ainda dívida especulativa. Contudo, a perspetiva sobre o rating passou de estável para positiva. Assim sendo, o rating de Portugal pode vir a subir nos próximos 12 meses na perspetiva da agência. Para tal, é necessário que se confirme uma melhoria nas perspetivas da economia, a redução do endividamento do setor privado e do défice orçamental.

A consolidação das contas públicas tem sido, aliás, um dos grandes objetivos de Portugal desde que foi intervencionado pela Troika.

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Objetivo esse que se mantém. De acordo com a Standard & Poor's, a melhoria da perspetiva resultou da recuperação da procura externa e da procura interna, assim como da inflação. Ou seja, fatores essenciais na consolidação das contas públicas portuguesas.

A eventual subida do rating de Portugal depende agora, segundo revela a agência, do compromisso dos decisores políticos na continuação da consolidação das contas públicas e, ainda, do próprio desempenho da Europa a médio prazo. A retoma das principais economias europeias e a descida dos preços do petróleo, por exemplo, podem contribuir para a melhoria da economia nacional, suplantando a queda nas exportações para alguns mercados, como o angolano.