A questão entre o BPI e a Santoro deixou de ser considerada apenas um problema que diz respeito a um banco. O facto de o acordo entre o Banco Português de Investimento e a Santoro Finance, da empresária Isabel dos Santos, ter deixado de ter efeito, como foi divulgado pelo banco português, no domingo, está a fazer com que a relação entre Portugal e Angola atravesse uma crise, de acordo com as informações divulgadas no programa Edição da Manhã. A empresária fez com comunicado a desmentir o BPI, sobre as razões que fizeram com que o o acordo não fosse definitivo.

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Segundo o JN, a filha de José Eduardo dos Santos acusou o Governo de ter beneficiado os espanhóis do CaixaBank. Para a empresária, o Governo português, ao criar um diploma que terá favorecido o BPI, estaria a intervir nas negociações.

Em comunicado, dos Santos disse que o decreto-lei é "(...) identificado como "o diploma do BPI...".

Ainda de acordo com o seu comunicado, o Governo criou uma "medida historicamente sem precedentes (...), declaradamente parcial (...) que favorece uma das partes". 

O decreto-lei que a empresária acusa de favorecer os espanhóis acaba com o limite ao direito de voto de cada accionista, que passará a votar de acordo com a percentagem que detém no banco. Isto significa que se a OPA for bem sucedida e, consequentemente, os espanhóis aumentarem a sua posição dentro do BPI, estes passarão a decidir sozinhos, sem que a palavra de Isabel dos Santos contasse para uma decisão final. Reduzindo para nada a importância do voto da empresária dentro do Banco. 

Ao contrário da informação que constava no comunicado feito pelo BPI, no dia 17 de Abril, a empresária angolana disse que não houve qualquer recusa da Santoro nas negociações.

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Isabel explicou que apenas se conseguiu um princípio de entendimento mas nunca um acordo definitivo. Para a Santoro, o que havia sido discutido nas negociações podia ser visto como um pré-acordo. 

De acordo com as informações divulgadas pela SIC, Isabel dos Santos acusa os espanhóis de se terem focado apenas na compra de mais capital do BPI e não na solução para o Banco de Fomento Angola. Isabel confirmou que este foi um dos pontos críticos que impediu a assinatura do acordo definitivo.