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Acabou a impunidade. Assim disse a ministra da Justiça, esquecendo o caos instalado com a alteração introduzida ao sistema judicial, condenando na praça pública dois desgraçados, que mais não fizeram além de carregar numas teclas, aceitar uma comissão de serviço e tentar adivinhar como era feito o "edifício" informático chamado Citius. Ouvidos e investigados, foram mandados para casa, sem culpa formada. No entanto, foram condenados na opinião pública, estão rotulados para o resto da vida. O povo vota mas não acredita. Todos são suspeitos. O espectáculo mediático é degradante. Como e à custa de quê, as televisões e alguns jornalistas sabem das notícias das notificações, das buscas, muito antes dos factos?

Tantos e tantos casos que estoiram nos telejornais, como bombas oriundas do espaço, depois… "fogo-fátuo".

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Alguns são concluídos, outros arrastam-se, nunca há culpados. Se forem poderosos, se tiverem bons advogados, então não há mesmo culpados. Parece que as coisas estão a mudar …vamos acreditar. Um dia saberemos quem recebeu dos submarinos, do Freeport, da Tecnoforma, dos Panduru, dos aeroportos virtuais do TGV, das empresas que mudam a sede para paraísos fiscais, das transferências ou esquemas do futebol. Será que saberemos?

Tudo é investigado, tudo é suspeito, as forças policiais espiam e duvidam umas das outras. Será por sermos um país pequenino, ou será por termos duas sociedades, a dos poderosos e a do povo? Porque a classe média acabou ou acabaram com ela. Quem não tem dinheiro, quem vive do dia-a-dia com o fruto do seu trabalho, com ordenados miseráveis, "diverte-se" com estas telenovelas entre os poderosos; os que têm, os intervenientes, os fazedores de leis, acusam-se, escondem-se.

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Os políticos são rotulados. Há poucos dias quase passava despercebido um escandaloso benefício para os deputados da nação, quase passava. Não passou, mas um dia passará. O povo deixará de ter tempo para ler notícias, para se preocupar com isto e as minorias que levantam estes "véus" deixarão de ter poder para falar.

Noutros tempos a Pide duvidava do povo, perseguia-o. Hoje, onde está a pide? O povo continua a ser perseguido e a justiça, lenta, lá vai levantando umas questões, uns casos, para entreter o povo. Ou será que novas pides existem, que vão "descobrindo carecas"? Pelo menos os Salgados dificilmente voltarão a brincar aos pobrezinhos em Tróia e os políticos pensarão duas vezes antes de receberem subornos.

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Ou será que estou enganado?

Ouvimos falar de reformas "escandalosas", aviões particulares, benesses astronómicas, mas somente ouvimos falar. Portugal é o verdadeiro "big-brother"; não há conversa de café, de esquina, que não refira estes temas, estes culpados, "estes mafiosos" e a sua impunidade. Os órgãos da comunicação social divertem-se, vendem, a publicidade encaixa-se, alguns jornalistas aproveitam-se/sobem. De fora, vem a Merkel dizer que temos licenciados a mais, o Putin passeia aviões sobre a nossa cabeça, o Juncker tramou toda a Europa enquanto mandava no Luxemburgo e agora dirige a Europa. A troika, ou os troikianos, sempre que precisam de férias vêm até Portugal, ver as contas e o sol do Estoril. Esquecia-me de referir o Alberto João a culpar os "contenentais" pelo desvario económico deste país. Ele é exemplar. Vamos acreditar. Portugal está a mudar, mas será que "podemos"?