Muito se tem escrito sobre oBREXIT, o referendo que se realiza esta quinta-feira, 23 de Junho, no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (R.U.) e no Território Ultramarino Britânico de Gibraltar (o único que se encontra inserido na União Europeia).Em causa estão não só as vidas dos cidadãos europeus que residem no R.U. e Gibraltar, mas também o que diz respeito ao seu desenvolvimento socioeconómico, dados os benefícios de actualmente se encontrarem inseridos no Mercado Único Europeu.

Uma eventual saída do R.U. da UE, e consequentemente do Mercado Único Europeu, representaria um choque negativo para a economia britânica, dado que o volume de exportaçõesbritânicaspara a UE é muito maiorquando comparadocom qualquer outro bloco económico.

O volume deexportações paraa China, apesar de crescente,éainda muitopequeno (2,9%). Em números redondos, cerca de 45% das exportações do R.U.destinam-seà UE, 18% destinam-seaos EUA e 7,3% aos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China eÁfrica do Sul).

Porém, o impacto económico da eventual saída do R.U. não se resume apenas à importância que a UE tem em termos de exportações. Se levarmos em linha de conta o número de estudantes do ensino superior que são cidadãos europeus, o impacto torna-se mais evidente. Isto, porque a livre circulação de pessoas traduz-se na livre circulação de estudantes e consequentemente estes têm um valor anual £3.7 biliões de libras (cerca de €4.8 biliões) para a economia britânica, assegurando 4000 postos de trabalho directamente ligados ao ensino superior.

Do lado Europeu, Mario Draghi, Presidente do Banco Central (BCE), confirmouqueo BCE se encontra preparado para todas as contingências decorrentes do BREXIT, caso o mesmo seja aprovado pelo eleitorado britânico e gibraltarino.

As declarações do Presidente do BCE, surgem depois da ronda de auscultações levadas a cabo pelo BCE junto dos bancos do Eurosistema e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No entanto, aúnica informação divulgada pelo Presidente do BCE foi de que o banco central teria como prioridade “disponibilizar uma ampla liquidez por forma a evitar pânico junto dos investidores”, embora a total eficácia deste plano não esteja garantida.

Só amanhã serão conhecidas as reais intenções dos britânicos e dos gibraltarinos, no entanto, os mercados vivem momentos de alta tensão, nos quais contratos, decisões de investimento e transacções estão em suspenso até ao final do Referendo.

Muito está em causa com uma eventual saída da R.U. da União Europeia e muitos dos impactos extravasam ocampoeconómico, nomeadamente no que diz respeito ao:

  • O facto dos países daCommonwealthencararem o R.U. como uma ponte para o investimento na UE, ponte essa com a qual o Reino Unido beneficiaria quer em termos económicos, quer em termos de captação de fundos europeus;
  • E ofacto de uma eventual saída do R.U. se traduzir numa perda do poderio militar da UE e, consequentemente, uma alteração das relações militares e diplomáticas deste país com os Estados-Membros da UE no seio da NATO.

Posto isto, torna-se evidente a ponta do icebergue no que diz respeito à catástrofe que se avizinha caso o eleitorado britânico e gibraltarino vote a favor da saída do R.U da UE.

Arriscamo-nos a enfrentar uma crise económica de grandes proporções para a qual nem a UE, nem o R.U., podem estar preparados, e cujo o período de reajustamento se advinha longo. Resta por isso saber se as pressões internacionais terão ou não efeito sobre o eleitorado.

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