A ponte sobre o rio Almargem, em Tavira, está em risco de colapso. Isso mesmo foi admitido pelo presidente da Câmara local, Jorge Botelho, na última Assembleia Municipal, em que esteve presente o Movimento de Cidadania de Utentes da EN125. É essa a razão que justifica que mais de metade da verba anunciada pelo Governo para obras urgentes nesta estrada seja afecto a este único local.

Os 500 mil euros previstos para a obra são parte de uma fatia de 750 mil euros que o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme D'Oliveira Martins, anunciou na passada semana, em reunião com os autarcas algarvios. O movimento associativo quis saber a razão da afectação de uma verba tão elevada, quando o troço entre Olhão e Vila Real de Santo António urge por obras urgentes e Jorge Botelho, que é também presidente da AMAL - Comunidade Intermunicipal do Algarve, justificou-a "pela avançada deterioração da ponte e pelo risco já elevado de possível colapso".

A obra a realizar nesta ponte, situada entre Tavira e Conceição de Tavira, irá ser já definitiva, não estando previstos novos trabalhos aquando das tão reclamadas obras, em particular para o troço de 38 quilómetros que une Tavira a Vila Real de Santo António. Para esta zona, estão disponibilizados cerca de 250 mil euros que deverão apenas servir como salvaguarda da segurança rodoviária até que as obras definitivas sejam feitas. Os trabalhos devem arrancar na segunda quinzena de maio, ainda antes do verão.

Obras de fundo em pausa

O Movimento de Cidadania dos Utentes da EN125 reclama obras urgentes na EN125, uma vez que uma boa parte da estrada apresenta evidentes e perigosos sinais de degradação, que colocam em causa a segurança de todos os automobilistas. Mas por enquanto, e apesar de todas as formas de luta, incluindo uma petição a entregar na Assembleia da República, o contrato de concessão para a realização dos trabalhos continua em fase de renegociação.

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Jorge Botelho sublinhou que o objectivo é que o troço passe para a tutela das Infraestruturas de Portugal, que tem uma verba de "18 milhões de euros" para intervir naquela que é uma das mais estradas mais perigosas de Portugal.

Recorde-se que a EN125 já sofreu obras de beneficiação desde o Barlavento até Faro. É a partir daí e até Vila Real de Santo António, em particular entre Tavira e Monte Gordo que os problemas se agravam, com buracos, inexistência de bermas, cruzamentos perigosos e outros problemas já claramente identificados pelas autoridades.