Nas últimas décadas, as equipas portuguesas contaram nos seus plantéis com vários guarda-redes internacionais de qualidade, sendo que a maioria teve sucesso em Portugal. Os principais clubes receberam os jogadores com maior currículo, no entanto, os clubes mais pequenos também contrataram alguns guarda-redes de categoria.

No Benfica, o maior destaque vai para o belga Michel Preud’homme que teve uma longa carreira de 22 anos, sendo os últimos 5 passados no Benfica (de 1994 a 1999). No ano que chegou a Portugal foi considerado o melhor guarda-redes do mundo e participou no Mundial desse ano. Foi 58 vezes internacional pela Bélgica.

Antes de jogar no Benfica esteve no Standard de Liége e Malines. Neste último venceu a Taça das Taças e a Supertaça Europeia. No período em que esteve em Portugal apenas conquistou um título, a Taça de Portugal. Foi o primeiro guarda-redes estrangeiro e belga a jogar no Benfica e apesar de não ter sido campeão conseguiu ter um bom desempenho individual numa idade mais avançada. No total fez 199 jogos (131 no campeonato).

No Sporting o guarda-redes de maior renome foi Schmeichel. O dinamarquês foi o melhor guarda-redes do mundo em 1992 e 1993. Na seleção fez 129 jogos e ganhou o Europeu de 1992 (competição na qual a Dinamarca participou devido à interdição da Jugoslávia que estava em guerra civil). Jogou 70 jogos no Sporting entre 1999 e 2001, foi uma vez campeão após um longo jejum do clube e ganhou uma Supertaça.

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No seu currículo tem a passagem pelo Manchester United onde venceu a Liga dos Campeões e o campeonato inglês cinco vezes.

Atualmente joga no Porto o guarda-redes mais credenciado que passou por Portugal, o espanhol Casillas. Foi formado no Real Madrid e passou lá grande parte da sua carreira (16 anos), tendo feito 725 jogos na equipa principal. Pelo clube conquistou todos os títulos importantes a nível nacional (entre eles 5 campeonatos) e internacionais (entre eles 3 Ligas dos Campeões). No total fez 167 jogos na Liga dos Campeões e 167 na seleção onde ganhou dois Europeus e um Mundial. Está no Porto há três anos, fez 105 jogos e até agora não tem nenhum título. Foi considerado o melhor guarda-redes do mundo cinco vezes consecutivas (2008 a 2012).

Nas equipas mais pequenas também tivemos bons guarda-redes nomeadamente o nigeriano Rufai que chegou ao Farense em 94 e esteve três anos no Algarve. Foi contratado após o Mundial e contribuiu para a melhor época do Farense na primeira divisão na época 94/95 (5.º lugar) e para a qualificação para a Taça UEFA pela primeira vez.

Fez 67 jogos no Farense e antes tinha jogado na Holanda e Bélgica. Jogou 15 anos na seleção e ganhou a Taça das Nações Africanas em 1994.

Pelo o Beira-Mar passou o guarda-redes checo Srnicek entre 2004 e 2006, que fez 64 jogos em Portugal na fase final da carreira. Em Aveiro conquistou o campeonato da Segunda Liga. Fez 49 jogos na seleção e participou na Taça das Confederações em 1997 e no Europeu de 2000. Antes de vir para Portugal esteve em Inglaterra, onde efetuou 152 jogos no Newcastle. Faleceu devido a uma paragem cardíaca no final de 2015 com 47 anos.

William Andem foi um dos principais a representar o Boavista, onde esteve 9 anos (1998-2007). Jogou no Cruzeiro antes de vir para Portugal e por isso já sabia falar português, o que facilitou a sua adaptação. No período em que esteve no nosso país não foi sempre titular e partilhou a baliza com Ricardo. Fez um total de 178 jogos e esteve presente no único título de campeão do clube em 2000/2001. Venceu também uma Supertaça e participou na Liga dos Campeões. Na seleção fez 7 jogos e foi convocado para o Mundial de 98.

O guarda-redes alemão Lukas Raeder chegou a Portugal com 20 anos. O Vitória de Setúbal foi o clube que o recebeu e esteve três anos no nosso país. No clube sadino apenas fez 32 jogos, realizados nas duas primeiras temporadas. Este jogador era suplente de Neuer no Bayern de Munique e por isso havia expetativa que pudesse ter uma boa carreira em Setúbal, no entanto, a situação foi diferente. Raeder referiu que as pessoas em Portugal são mais críticas em relação aos guarda-redes e após alguns jogos em que sofreu mais golos perdeu a titularidade. O jogador sente que devia ter tido mais oportunidades para poder mostrar o seu talento.

O suíço Benaglio chegou em 2005 ao Nacional proveniente dos sub-23 do Estugarda. Começou como suplente de Hilário até à lesão deste. Posteriormente assumiu a titularidade e realizou 71 jogos no clube madeirense. Chegou à seleção da Suíça durante o seu bom percurso na Madeira e tem atualmente 61 internacionalizações. Foi titular no Euro 2008 efetuado no seu país. Saiu nessa altura de Portugal para outro clube alemão, o Wolfsburgo, onde na época seguinte foi campeão.