Esta manhã (noite segundo o fuso horário de Portugal) um popular café de Sidney, o Martin Place, foi ocupado por um homem armado que fez dos funcionários e dos donos reféns, reclamando motivações políticas pela ação, inclusive afiliação ao Estado Islâmico. Segundo as informações atualmente disponíveis, o atirador, um expatriado iraniano identificado com Man Haron Monis, de 49 anos, terá sido o único responsável pela tomada dos reféns. Após 16 horas de impasse, forças especiais australianas fizeram um assalto ao edifício, terminando com a crise e libertando os civis.

Equipas de paramédicos seguiram os militares após alguns minutos, havendo relatos de assistência a pelo menos um refém alvejado numa perna. O destino do sequestrador é ainda desconhecido.

Os primeiros tiros da crise terão sido ouvidos pelas 09h44, hora local. As autoridades australianas não demoram a reagir, e o bairro foi fechado pela polícia. Algum tempo depois, pelo menos cinco reféns terão conseguido escapar, mas cerca de 15 ficaram presos com o atacante. Às 2h44 as forças especiais finalmente avançaram.

Monis é uma personagem já conhecida das autoridades australianas. Obteve exílio político no país em 1996, e desde então tem-se identificado como um clérigo autodidata, convertido do islamismo Xiita para o Sunita. Descrito como uma figura solitária, tem também várias acusações de assédio sexual, e terá enviado várias cartas com ameaças a familiares de soldados australianos mortos no Afeganistão. O seu website pessoal foi entretanto suspenso pelas autoridades.

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As circunstâncias sob as quais este incidente se deu levantaram medos de ataques de fundamentalistas islâmicos, uma vez que o governo australiano enviou seis dos novíssimos caças a jacto F/A-18F da sua força aérea para atacar as forças do Estado Islâmico a partir de bases nos Emiratos Árabes Unidos. A acompanhá-los estão também uma série de aeronaves de transporte e missões especiais e 200 militares do Exército, fazendo deste um contributo considerável e que certamente terá antagonizado os extremistas. No entanto, a Austrália já fez parte de diversas outras operações contra este tipo de organizações no passado, pelo que existe uma preocupação especial com situações como a que sucedeu hoje.