Segundo informaçõesavançadas pelas autoridades sanitárias moçambicanas, o consumo decerveja tradicional terá levado a sintomas de envenenamento em maisde 100 pessoas que participavam num funeral no distrito do Songo, nointerior da província do Tete. Esta é a área situada mais a oestedaquele país africano, correspondendo, assim, ao interior profundo. 52 destas pessoas acabariam por morrer, com pelo menos mais51 tendo dado entrada em hospitais da região.

No entanto, o diretorde saúde local, Alex Albertini, já veio informar que mais 146 casosteriam sido detetados em toda a província do Tete, o que dá aentender que este não será um caso isolado. Não obstante, oincidente causou preocupação às autoridades, e o diretor de saúdede Tete, Carle Mosse, informou os media que amostras da bebida emquestão e do sangue das vítimas já teriam sido enviadas para acapital, Maputo, de modo a que sejam feitas análises que ajudem acompreender os detalhes desta situação.

A bebida em questão échamada de pombe, e também cabanga. Pode ser produzida a partir deuma variedade de ingredientes, sobretudo farinha e farelo de milho(ou mapira, em alternativa), assim como água e açúcar. Habitualmente, as condições de produção não serão as mais higiénicas, o quefaz recordar outras instâncias de envenenamentos em massa noutrasregiões pobres do mundo devido a ingredientes alterados.

As condições de grande pobreza em que viverão muitas destaspessoas não permitem que a qualidade da produção deste tipo de produtos seja especialmente cuidada, incluindo a escolha etransformação dos ingredientes, em muitos casos deixados a céuaberto e passíveis de serem facilmente adulterados por diversostipos de elementos. Nesta situação em específico, as autoridadessuspeitam que a bebida estaria intoxicada com bílis de crocodilo.

Sefoi propositado ou não ainda estará para se revelar, com a políciajá encarregue do caso e a investigar.

Pode-se depreender que asintoxicações alimentares são um problema um pouco pelo mundointeiro. Mesmo na Europa podem-se dar situações em que alimentosalterados causam graves problemas, apesar de situações na escaladesta serem excecionalmente raras. Os mecanismos legais criados paracontrolar a qualidade dos alimentos tendem a funcionar nos paísesindustrializados, mas o mesmo não será verdade em países maispobres.

Moçambique, como outras nações similares, tenta combateresta questão, mas até se conseguir realmente melhorar as condiçõesde vida da sociedade em geral, será difícil conseguir uma reduçãoreal dos problemas de saúde deste género.

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