A primeira capa do Charlie Hebdo após o massacre que chocou o mundo já está nas bancas. Como não podia deixar de ser, Maomé ocupa a capa desta nova edição, aparecendo sobre um fundo verde - cor do islão - e a segurar um cartaz com a frase que se tornou famosa após o atentado: Je Suis Charlie. Em letras maiores lê-se a frase "Está Tudo Perdoado". Renald Luzier é o cartoonista do semanário satírico que assina a nova capa.

Renald deveria estar nas instalações do Charlie Hebdo no passado dia 7 de Janeiro, mas não estava.

O cartoonista adormeceu e não chegou a tempo da reunião editorial, ficando assim a salvo do massacre que tirou a vida aos seus colegas. E sobreviveu para fazer mais uma capa do polémico jornal.

Mais uma capa, mais um cartoon, mais uma provocação. Maomé volta a ser protagonista, com uma lágrima no olho, cara triste e segurando um cartaz com a famosa frase: Je Suis Charlie. Mostra-se assim descontente com a atitude dos terroristas que invadiram a redacção do jornal satírico - para o vingar - e do lado dos cartoonistas que perderam a vida.

Uma capa dentro da mesma linha de todas as outras, mostra que o semanário satírico não cede, o medo não prevalece e o tom de provocação mantém-se. O conteúdo político estará presente, assim como sempre esteve, não se perdendo assim o espírito que sempre o distinguiu.

O jornal francês Libération disponibilizou o espaço e todos os meios necessários para que os jornalistas do Charlie Hebdo pudessem preparar a nova edição do jornal que chegou ontem às bancas, exactamente uma semana após o ataque às suas instalações pelos irmãos Kouachi.

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Esta edição terá uma tiragem de três milhões, muito superior aos 60 mil exemplares que habitualmente eram colocados em circulação, e chegará a 20 países, incluindo Portugal.

No site oficial do jornal está presente a explicação do que levou os sobreviventes a preparar esta edição, pós-ataque. A explicação resume-se a três razões: "Porque o lápis está acima da barbárie"; "Porque a liberdade é um direito universal"; "Porque vocês nos apoiam".