Centenas de crianças, obrigadas a trabalhar em "condições desumanas", foram resgatadas de fábricas no Sul da Índia. As operações policiais decorreram num período de 10 dias, em empresas têxteis e de plásticos em Hyderabad, onde pelo menos 350 crianças trabalhavam longas horas num ambiente deplorável, disse a polícia. Na Índia, a pobreza generalizada e a falta de educação levam a que muitas crianças se vejam forçadas a trabalhar. Às vezes os seus salários são entregues aos pais.

As autoridades disseram que cinco homens foram detidos, acusados de fornecer mão-de-obra menor aos donos das fábricas. Os serviços de protecção de crianças acompanharam esta quinta-feira alguns dos pequenos, que voltaram para junto dos seus pais em Bihar, um dos estados mais pobres da Índia.

Outros, cerca de 200, já tinham viajado de volta para o mesmo estado no início da semana.

O agente V. Satyanarayana revelou que muitas das crianças resgatadas sofriam de problemas de pele e outras doenças. "Encontrámos as crianças confinadas ao seu local de trabalho, em condições desumanas. Eram obrigadas a trabalhar quase 12 horas por dia, sem qualquer descanso", declarou, acrescentando que os menores eram mantidos em espaços sem higiene ou ventilação e eram monitorizados pelos empregadores com o recurso a câmaras de vídeo. Qualquer criança que parasse de trabalhar era agredida, concluiu.

A Índia tem vindo a tentar lutar contra o trabalho infantil, com medidas como o ensino obrigatório até aos 14 anos. Em 2012, empregar crianças com idade inferior a 14 anos tornou-se ilegal, graças, em grande parte, ao trabalho de Kailash Satyarthi, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2014.

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Há muito que o activista começou a campanha contra o trabalho infantil, tendo resgatado inúmeras crianças da servidão. No entanto, ainda há milhões de menores a trabalhar na Índia. Segundo censos de 2011, são mais de quatro milhões. Satyarthi diz que o número pode chegar aos 60 milhões.

Muitos pais dizem que a pobreza os obriga a enviar os seus filhos para trabalharem em casas de pessoas mais abastadas ou em fábricas. Outros são raptados das suas famílias e traficados para outras regiões. A cada oito minutos, uma criança desaparece na Índia. Cerca de metade nunca é encontrada.

As autoridades para as condições do trabalho indianas informaram que as operações para procurar crianças a trabalhar em fábricas serão realizadas duas vezes por mês. "Estamos a tomar medidas efectivas para erradicar a máfia que traz as crianças de outros estados para trabalhar em indústrias perigosas em Hyderabad", disse RV Chandravan.