A crise económica que Angola atravessa devido ao baixo preço do petróleo está já a afetar muitos outros países onde se incluí Portugal. O governo angolano já anunciou uma alteração ao nível das importações e algumas empresas portuguesas já estão a fazer contas aos valores que vão perder. O objetivo do governo liderado por José Eduardo dos Santos é que reduzindo drasticamente as importações, muitas multinacionais vão ser obrigadas a abrir polos de produção em Angola, caso queriam continuar a operar no país.

Por outro lado, com o agravamento da situação económica do país, muitos trabalhadores da construção civil estão prestes a regressar a Portugal, pois as grandes obras públicas estão a começar a ficar suspensas.

Recentemente o Ministério do Comércio de Angola anunciou que vão ser canceladas as licenças de importação de 27 produtos alimentares e não alimentares. Desta forma, o governo angolano pretende estabelecer novas quotas máximas de importação para esses produtos, reduzindo assim as compras ao exterior e obrigando a que as empresas se comecem a candidatar a programas específicos para se sediarem no seu país. O objetivo é que os produtos sejam produzidos localmente e não sejam importados do exterior para serem difundidos posteriormente nas grandes cadeias de distribuição. Estas novas regras afetam muitas empresas portuguesas, como por exemplo o caso da Unicer que fatura cerca de 120 milhões de euros em Angola, através da exportação de sensivelmente 100 milhões de litros de cerveja.

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Para além das restrições impostas à importação, a construção civil está também a ser já fortemente afetada com a crise. As grandes obras públicas estão a começar a ser suspensas por cortes nas verbas, pelo que a construção de novas estradas e de equipamentos da área social está suspensa. Esta situação está a fazer com que muitos portugueses ligados a esta área comecem a regressar a Portugal, pois as empresas que os haviam contratado não têm dinheiro para lhes pagar. Estima-se que existam cerca de 100 mil trabalhadores portugueses em Angola no sector da construção, sendo que 30% desses trabalhadores foram contratados por angariadores que se recusam a pagar valores acordados previamente. Parte destes trabalhadores estão inclusivamente a solicitar apoio ao estado português para conseguir regressar ao nosso país. Prevê-se que nos próximos meses o número de trabalhadores portugueses em Angola seja drasticamente diminuído e que a sua grande maioria regresse para Portugal sem qualquer garantia de encontrar novo trabalho.