Algo que parecia impensável,sobretudo na actual conjuntura económica vivida na União Europeia, oficializou-sehoje: o governo croata negociou e estabeleceu um programa com bancos, empresas de telecomunicações e municípios, para um perdão total de dívidas aos cidadãos maispobres, e que têm as suas contas actualmente congeladas. Estima-se que cerca de60 mil croatas sejam beneficiados por esta inovadora medida, intitulada de “ umnovo começo”.

Na Croácia, das 327 mil pessoasque têm a sua conta bancária congelada devido a dívidas e incumprimentos, cercados 60 mil mais pobres têm, esta segunda-feira, a sua conta novamente activa elivre de dívidas. O programa, conduzido pelo actual governo de centro-esquerda,pretende dar um “novo começo” a um número significativo de pessoas endividadase que têm, nos últimos anos, contribuído significativamente para a estagnação daeconomia do país.

Tal como se verificou na maioria dos países da União Europeia,a Croácia sofreu uma enorme recessão nos últimos 6 anos, e as novas previsõesindicam uma subida ligeira para o presente ano.

Depois de longas negociações, ogoverno croata chegou a acordo com bancos, serviços públicos e telecomunicações para o perdão da dívida. A medida tem como principal objectivo ajudar os maispobres - que não têm poupanças ou propriedades - e impulsionar a economiainterna, a um longo prazo.

“Estamos muito orgulhosos por podermos oficializar umamedida social, que irá favorecer os mais pobres. Mas este é um programa excepcional”,divulgou o primeiro-ministro da Croácia, Zoran Milanovic.

Apesar de ser um programa comenormes contributos sociais, e que espantou muitos países - numa altura em que sobe a tensão entre o novo governo de esquerda na Grécia, por um lado, e a Alemanha e a União Europeia, do outro - os partidos deoposição revelam que esta medida apenas surge meses antes das eleições, sendosomente um programa populista e uma medida eleitoralista.

Porém, se a medida cumpriros seus objectivos, outros países poderão seguir-lhe o exemplo, algo que irá agradar fortemente os partidos com orientações de esquerda. Apesar de toda a contestação, quem cumprir com os requisitos já pode se candidatar para beneficiar da medida e acordar com uma nova oportunidade.

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