Já passou um ano desde que a Rússia tornou oficial a anexação da península da Crimeia, internacionalmente reconhecida como território da Ucrânia. Apesar da rejeição formal da comunidade internacional, não ter passado disso mesmo, a aceitação do fait accompli não significou a normalidade para a nova província russa. A começar pelo acesso à Crimeia, tendo a Ucrânia cortado as ligações ferroviários e de autocarro, sendo que a península continua sem a ponte prometida por Moscovo. No plano económico, o desemprego persiste; Putin subiu as pensões e os salários da função pública mas o preço dos alimentos duplicou e a inflação disparou. Muitos bancos e marcas internacionais deixaram o território e as empresas russas ainda não se instalaram, com medo das sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.

Além disso, Kiev interrompeu grande parte do abastecimento de água na região. Também o turismo foi fortemente afetado, sendo que, antes da anexação, a Crimeia recebia em média seis milhões de turistas por ano; desde 2014 o número desceu para quatro milhões. A maioria dos turistas é de nacionalidade russa, aproveitando que a moeda comum. Por outro lado, a presença militar é agora mais forte, ainda que o fim da guerra seja o melhor aspecto do ano que agora passou.

Muitas cidadãos, apesar de se mostrarem contentes com o fim da guerra, não esquecem os vários problemas da região, nomeadamente o facto de a maioria dos pequenos empresários não conseguirem obter licenças de trabalho, o que faz com que o desemprego não diminua. Estes cidadãos exigem esclarecimentos, visto que as dúvidas ainda são muitas.

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Confessam que, neste momento, não se sentem preparados para mudarem para as leis russas e apelam a que o governo os esclareça quanto ao futuro da região. Defendem, sobretudo, que este período de transição deverá ser mais prolongado.

Um ano depois, a tensão militar continua e a Rússia admitiu ter preparadas forças nucleares para defender a Crimeia. Já na manhã de ontem, a União Europeia afirmou que continua a não reconhecer a independência e que a anexação viola o direito internacional. Por outro lado, o movimento de oposição e de luta contra a anexação russa continua a dizer que não vai desistir da independência. Apesar do anúncio feito pela União Europeia, a Rússia mantêm-se indiferente às sanções; entre terça e quarta-feira irá levar a cabo várias iniciativas para comemorar a anexação da Crimeia.