Uma equipa liderada pelo co-fundador da Microsoft Paul Allen encontrou, no início de março, um dos mais temidos navios da Marinha Imperial Japonesa, durante a II Guerra Mundial, o Musashi. Depois de oito anos de pesquisa histórica e análise submarina, o couraçado foi descoberto a cerca de um quilómetro de profundidade, na costa das Filipinas. Kazushige Todaka, historiador especializado na História naval nipónica, já confirmou que se trata, de facto, do muito procurado navio japonês.

Musashi é considerado, juntamente com o seu irmão Yamato, o maior navio de guerra alguma vez utilizado. Com um total de 263 metros e 73 mil toneladas de peso, tinha capacidade para albergar uma tripulação de 2500 pessoas.

Além da sua dimensão colossal, o couraçado incutia o medo nos seus inimigos também pelo seu armamento: nove canhões de 46 centímetros, capazes de disparar até duas balas de 1,462 quilos por minuto, a um alcance máximo de 26 milhas. Lançado pelo Japão imperialista em novembro de 1940, foi afundado pelos Aliados durante a Batalha do Golfo de Leyte, a maior batalha naval da II Guerra Mundial e, por vários historiadores, nomeada de maior batalha naval da história universal. A bordo estavam 2 399 homens, dos quais quase metade não sobreviveu.

Afundado sem deixar rasto, a equipa de investigação conseguiu descobrir o local exato onde o navio desapareceu, partindo das posições oficiais da marinha japonesa e norte-americana, durante a batalha, dos registos do destroyer nipónico que resgatou a tripulação do Musashi e dos desenhos de um sobrevivente japonês, indicando o local onde o navio teria naufragado.

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Reduzindo a imensa área a 1 236 quilómetros quadrados, e socorrendo-se de um veículo submarino autónomo equipado com um sensor sonar, a equipa liderada pelo multimilionário encontrou o tão desejado navio, setenta anos após o seu desaparecimento. "É uma honra ter participado na descoberta desta peça-chave da história-naval e honrar a memória da incrível bravura dos homens que serviram a bordo", declarou Allen, um admirador confesso do período da II Guerra Mundial e que tem dedicado parte da sua fortuna à exploração das profundidades do mar e do espaço. O co-fundador da Microsoft espera que que esta descoberta permita, por um lado, aprofundar a compreensão da Batalha do Golfo de Leyte e, por outro, trazer alguma paz aos familiares dos que pereceram no conflito.