Um rapaz francês de 13 anos morreu na Síria tornando-se, tudo indica, no mais jovem soldado a morrer enquanto combatia nas fileiras do Estado Islâmico. Abu Bakr al-Faransi, originário de Estrasburgo, foi morto durante um ataque das forças governamentais a um posto fronteiriço no qual estava de guarda. De acordo com David Thomson, jornalista francês autor do livro "Les Français Jihadistes" (Os Jihadistas Franceses), al-Faransi morreu há dois meses. Segundo a mesma fonte, o rapaz chegou à Síria com a família e dois dos seus irmãos também caíram em combate.

Do alto dos seus 13 anos, era considerado o mais jovem combatente da organização terrorista na Síria.

Abu Bakr al-Faransi, que significa Abu Bakr "o francês", terá sido morto há dois meses na região de Homs, enquanto guardava um posto fronteiriço que foi atacado pelo exército sírio. Foi o próprio Estado Islâmico que anunciou a morte do adolescente. David Thomson, especialista em Terrorismo, falou com uma fonte do grupo, que lhe fez um retrato do malogrado menino. "Era um bom rapaz. Gostava muito dele, esta notícia deixa-me feliz", referiu o membro do Estado Islâmico, que disse estar "contente" por al-Faransi ter tido a honra de morrer em combate.

Originário do desfavorecido bairro de Ampère, em Estrasburgo, Abu Bakr chegou à Síria em Agosto. Segundo a Europe 1, ele, os pais, as irmãs e os irmãos foram para o Médio Oriente com a intenção recuperar o corpo de Mohamed, um dos irmãos que tinha partido de França em Março para se juntar aos jihadistas e que acabaria por morrer em Julho.

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O outro irmão, Nadir, sucumbiu em Outubro. Tinham ambos perto de 20 anos. Caso se confirme a morte do pequeno Abu Bakr, coloca-se uma outra questão: o que aconteceu aos restantes membros da família? Estarão vivos?

Anthony Glees, director do Centro de Estudos para a Segurança e a Inteligência da Universidade de Buckingham disse ao Daily Mail que, "com a alcunha al-Faransi, tal como al-Britanni, o EI quer esfregar na cara da Europa que os jovens continuam a ser atraídos" pela organização terrorista. "Este rapaz morreu. Isso é o que importa. Que terrível desperdício para uma vida tão jovem. A resposta do governo deveria ser que, se o EI está dependente de rapazes para lutar por eles, então é porque estão a começar a raspar o fundo do tacho", prosseguiu Glees.

"Isto demonstra também que os jovens muçulmanos são alvos de recrutamento pelo EI, seja em Bethnal Green [rua de Londres] ou num banlieu [subúrbio] francês. Sem dúvida que temos de trabalhar em conjunto com os nossos aliados europeus para reverter esta preocupante tendência. O primeiro passo é reconhecer que ela existe. O segundo é assegurar que aqueles que estão a ajudar o EI recebem ordens para parar", concluiu.