A equipa de investigadoresespanhóis que há cerca de um ano procura os restos mortais do nome maior daliteratura espanhola, Miguel de Cervantes, considera que as ossadas encontradasno início desta semana poderão ser mesmo do escritor. O autor de “Dom Quixote de LaMancha” terá morrido em 1616 em Madrid, aos 69 anos de idade, e terámanifestado interesse, ainda em vida, em ser enterrado na igreja dasTrinitárias, local onde agora foram encontrados os seus restos mortais.

EmJaneiro de 2015 os investigadores descobriram no local uma cripta do séculoXVII com as iniciais de Miguel Cervantes lá inscritas. Apesar de não serpossível confirmar através da análise de ADN, o médico legista e tambémresponsável pela investigação Francisco Etxebarria assegura tratar-se doescritor, tendo em conta “toda a informação de carácter histórico, arqueológicoe antropológico” que foi descoberta no caso.

Enterrado no chão da igreja,conjuntamente com outros quinze corpos, as ossadas de Cervantes encontram-se emprofundo estado de deterioração, especialmente a mandíbula, e vários ossos dosbraços. No mesmo sítio foram também descobertos os restos mortais de CatalinaSalazar, mulher com quem Cervantes casou em 1584, sendo que as suas ossadasencontram-se em melhor estado. Toda aequipa de investigadores concorda que a sua descoberta, ocorrida cerca de 400 anos após a sua morte, contribui para a História e a cultura espanhola.

Também em Portugal o nome maiorda Literatura, Luís Vaz de Camões, levanta algumas dúvidas quanto ao local onde estará enterrado. Ao que tudo indica, os restos mortais do poeta português,falecido em Lisboa em 1580, estarão no Mosteiro dos Jerónimos mas, segundoalguns especialistas, aquando da sua morte o mesmo foi enterrado na igreja deSantana, não se sabendo ao certo se dentro ou fora. Contudo, somente trêsséculos depois é que o corpo de Camões foi trasladado, e entretanto haviaacontecido o terramoto de 1775, que destruiu a quase totalidade da igreja.

Assim,não é possível comprovar se no Mosteiro dos Jerónimos estão, na verdade, asossadas do autor de “Os Lusíadas”.

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