A polícia espanhola deteve na madrugada de terça-feira, dia 10, em Ceuta, dois alegados jihadistas "plenamente preparados e dispostos para atentar". Segundo o Ministério do Interior do país vizinho, a dupla fazia parte da mesma célula dos quatro homens presos no passado dia 24 de Janeiro.

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A operação decorreu, tal como a anterior, no bairro do Príncipe, de onde saíram vários jovens para lutar nas fileiras do Estado Islâmico nos últimos anos. O ministério explica que a célula, que considera "neutralizada", não se enquadra "nos padrões habituais das redes de radicalização, recrutamento e envio de activistas para as filas de organizações jihadistas activas em zonas de conflito", sendo composta por pessoas "já radicalizadas e consciencializadas para a execução de atentados tanto em Espanha como no resto da Europa".

Operação decorreu no bairro do Príncipe em Ceuta
Operação decorreu no bairro do Príncipe em Ceuta

Os detidos, cujas identidades não foram reveladas, são de nacionalidade espanhola e origem marroquina e "seguiam as directrizes da organização terrorista Daesh [como é chamado o Estado Islâmico na Síria] através de uma poderosa e agressiva campanha de comunicação e difusão mediática nas redes sociais e páginas jihadistas na internet".

Estas detenções são a continuação do dispositivo levado a cabo no passado dia 24 de Janeiro, no qual foram detidos dois pares de irmãos fortemente radicalizados e dispostos a cometer um atentado e a imolar-se, refere o El País.

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Farid Mohammed Al Lal e o seu irmão Mohammed, e Anwar Ali Amzal e o irmão Rodouan - de nacionalidade espanhola e com idades compreendidas entre os 20 e os 39 anos - foram os quatro detidos nessa altura em Ceuta, na denominada operação Chacal.

O ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz, destacou então o paralelismo entre os perfis dos detidos com os dos irmãos Kouachi, responsáveis nesse mesmo mês pelo atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris.

O juiz ordenou a prisão de três dos quatro detidos por pertencerem a organização terrorista e posse ilícita de armas. O quarto suspeito, Rodouan, ficou em liberdade, com medidas cautelares. Segundo fontes judiciais, padece de problemas psíquicos.

Também esta terça-feira, o Ministério do Interior afirma que os indivíduos "apresentam perfis coincidentes com os dos atentados levados a cabo em Paris nos dias 7 e 8 Janeiro", o que evidencia "o seu alto nível de radicalização e potencial perigo".

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Segundo o comunicado do ministério, este grupo jihadista caracteriza-se pelo facto de os seus membros estarem "preparados física e mentalmente" para a jihad e pelas "numerosas e complicadas medidas de segurança que adoptavam nas suas deslocações e comunicações". Além disso, tinham "acesso à compra de armas de fogo no mercado negro e uma clara predisposição para a sua utilização num potencial atentado terrorista", como demostra a apreensão na anterior operação de uma pistola Glock a um dos detidos.

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A de Janeiro foi a primeira operação contra o jihadismo levada a cabo em Espanha em 2015. No ano passado foram detidos 40 alegados jihadistas, muitos deles graças à colaboração com Marrocos.

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