Os protestos pela morte de Freddie Gray tornaram-se em tumultos violentos em Baltimore, nos EUA. Registaram-se incidentes como carros destruídos ou lojas roubadas através do arrombo por cadeiras. Tudo começou no passado Sábado, tornando a cidade de Baltimore num foco de violência. Os tumultos continuaram na segunda-feira. O governo federal declarou "Estado de Emergência" e enviou a polícia militar para controlar a situação.

O Daily News transmitiu a revolta em directo: um homem a atirava lixo a arder para a polícia; uma centena de manifestantes usava uma cadeira de um restaurante para partir janelas; o mesmo grupo continuava a partir janelas de restaurantes com cadeiras e mesas; os manifestantes também se envolveram em lutas com clientes e proprietários do restaurante Slide's Bar.

Baltimore é uma cidade conhecida por ser um ghetto pobre, de crime e droga. É também conhecida, por essas mesmas causas, de ser um potencial vulcão de conflitos, prestes a entrar em erupção.

Matt Drudge, um popular jornalista independente americano, do DrudgeReport, comentou no Twitter, acerca destes tumultos: "A América pode cair".

Uma testemunha diz que depois de um jogo de basebol entre os Boston Red Sox e os Baltimore Orioles, as pessoas começaram a "tornar-se loucas".

Michael Snider, do Economic Collapse comenta: "Se é assim que as pessoas agem em condições económicas ainda relativamente estáveis neste país, o que se irá passar quando as coisas começarem realmente a correr mal?" Michael Snider deu uma conferência em Dallas, em 11 de Abril, avisando o público do potencial de violência que poderia ser criado em grandes cidades, caso a economia continuasse a cair. E Baltimore era um desses exemplos: "Eu não fazia ideia que os tumultos em Baltimore começassem tão cedo. E que a violência a que assistimos no sábado fosse tão chocante".

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Snider refere que por trás destes tumultos pode estar Malik Shabazz, presidente dos Advogados Negros da Justiça, dos Black Panther, que convocou a revolta nas redes sociais. Shabazz confessou mais tarde ao New York Times: "Só queria incitar à desobediência civil, não à violência" e também afirmou que não se impressionou com o "caos violento na cidade, porque as pessoas não tiveram justiça".

A polícia de Baltimore disse ontem que na segunda-feira "foram detidas 200 pessoas, durante os tumultos nocturnos"; também foram atingidos 15 polícias e repórteres, "arderam 15 edifícios e foram destruídos 144 veículos".

Ontem, Jack Young, o Presidente da Câmara de Baltimore, pediu desculpa, em conferência de imprensa, aos manifestantes por lhes chamar "thugs" (rufiões), reconhecendo que alguns gangs de manifestantes estavam a guardar as lojas e não a assaltá-las.

Fredy Grey, um jovem negro, sofreu ferimentos violentos na espinha dorsal durante uma detenção policial, que acabaram por causar-lhe a morte.

Várias operações não conseguiram salvar a vida Fredy Grey, o que levou a uma onda de indignação social em Baltimore, gerando sentimentos de injustiça na comunidade negra.

Os tumultos nos EUA têm sido cada vez mais evidentes. É de lembrar caso de Ferguson, em que a cidade esteve quase fechada e em clima de violência, porque a polícia matou um negro sem justa causa. Tal como em Ferguson, o governo de Barack Obama enviou polícia militar para Baltimore para controlar as massas.