Há uma semana atrás as forças armadas de vários estados árabes, lideradas pela Arábia Saudita, iniciaram uma série de ataques aéreos sobre o Iémen. Isto após os rebeldes Houthis, que haviam previamente ocupado a capital Sana'a terem lançado vigorosos ataques sobre o reduto do Presidente Hadi, na cidade costeira de Áden. Os ataques aéreos foram intensos e destrutivos, causando a morte de pelo menos 130 civis, tanto na capital como em diversos outros pontos do país. No entanto, também causaram estragos extensos nas forças rebeldes.

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As colunas de reforços e logística que se dirigiam a Áden foram severamente danificadas, e as tropas que avançavam pela cidade, atacando as tropas governamentais, foram agora obrigadas a parar a ofensiva e a recuar de diversas posições na cidade. Entretanto, diversas tropas, que se suspeita serem sauditas, desembarcaram no porto de Áden.

Esta intervenção militar é amplamente descrita como um confronto indireto entre Riade e Teerão, com as duas capitais a disputarem o controlo do Médio Oriente mediante as linhas de cisão entre Sunitas e Xiitas.

F-15 similar aos utilizados pela Arábia Saudita.
F-15 similar aos utilizados pela Arábia Saudita.

Convém, ainda assim, ter em conta que a situação no Iémen já se havia tornado bastante caótica há algum tempo. No leste do país a al-Qaeda, e agora o Estado Islâmico, permanecia ativa, não obstante os constantes ataques de VANTs americanos.

Esta organização parece ter-se reforçado com a luta entre a coligação e os Houthis, o que retira alguma pressão de cima deles, e entretanto atacaram uma prisão perto de Áden, libertando 150 prisioneiros. Outra unidade ligada à al-Qaeda também fez notícia ao capturar postos na fronteira entre a Síria e a Jordânia, comprometendo as vias comerciais entre ambos os países e forçando Amã a fechar as passagens.

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Como sucedeu com a al-Qaeda, também o Estado Islâmico poderá em breve perder o seu centro de operações, com a vitória iraquiana em Tikrit a anunciar os efeitos da coligação que enfrenta a organização no Levante e dos ataques aéreos liderados pelos americanos. Como a al-Qaeda, contudo, o EI poderá ainda tirar ganhos da sua rápida expansão pelo Médio Oriente e Norte de África, tornando-se numa organização de tal modo dispersa que será difícil destruí-la completamente, mesmo após deixar de ser verdadeiramente relevante. Não que seja esse o caso no futuro imediato.

A luta contra a organização ainda será dura, tendo a ONU recentemente revelado que mais de 25000 recrutas vindos de todo o mundo se terão juntado ao EI e grupos similares no último ano.

Mesmo assim, a realidade do conflito no Médio Oriente começa a moldar-se num confronto mais óbvio entre a Arábia Saudita e o Irão, como revelado pelo conflito iemenita. Não esqueçamos que os Houthis são suportados pelos iranianos. A Turquia assume-se como uma terceira força nesta luta, mas poderá perder a janela de oportunidade se não agir rapidamente.

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