A ocupação do leste da Ucrânia por forças rebeldes, cada vez mais identificadas como tropas russas não reconhecidas oficialmente, prossegue, levando Kiev e outros estados da região a procurar o apoio da NATO como forma de contrariar a crescente pressão por parte de Moscovo. Foi com esse fim em vista que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, recentemente convidou o senador do estado do Arizona, John McCain, para ser um conselheiro presidencial para Kiev. McCain descreveu-se como estando honrado pelo convite, apesar de ter avisado que o mesmo teria ainda de ser aceite pelo Senado dos EUA. O senador republicano foi um dos maiores defensores de uma postura mais dura de Washington perante o que sempre descreveu como uma agressão russa à Ucrânia, tendo criticado o Presidente Obama pela sua política em relação à crise iniciada há mais de um ano.

Também defendeu seriamente o envio de armas para Kiev.

O governo de Poroshenko adiciona assim mais um nome a um conselho que tem em vista trazer reformas que possam ajudar a combater os diversos problemas que o seu país enfrenta. Para além da crise militar, a qual se teme que possa reemergir a qualquer momento, a Ucrânia também se vê a braços com uma profunda depressão financeira, tendo já recebido enormes quantias de dinheiro vindas da UE e do Banco Mundial para sobreviver, mas medidas mais duradouras têm ainda de ser encontradas. Para o efeito, o conselho no qual McCain participará irá ainda contar com o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, o conhecido economista Anders Aslund, e o Presidente do Comité de Negócios Estrangeiros da UE, Elmar Brok, entre outros.

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Entretanto, tropas da NATO estão já profundamente envolvidas na crise da Europa de Leste. Destacamentos importantes e 6 centros de comando estão estabelecidos em diversos países da região, e os encontros com aeronaves russas tornaram-se uma constante para as forças aéreas dos estados-membros e aliados que patrulham os céus. Segundo declarações creditadas a um porta-voz das forças armadas da Estónia, um destes encontros, que terá tido lugar no passado dia 7 de abril, quase levou à colisão entre caças de ambos os lados, o que teria trazido graves consequências.

É evidente que a tensão se mantém e é preocupante. 300 militares da 173º Brigada Aerotransportada dos EUA encontram-se na Ucrânia para treinar as forças locais, preparando-as para quaisquer futuras operações que possam ter lugar. Porta-vozes do governo russo já criticaram esta situação, admitindo que nada faz para diminuir as tensões. Em resposta, vozes vindas do Bloco Ocidental comentam acerca das recentes ameaças relacionadas com o uso de armas nucleares feitas pelo governo de Vladimir Putin.

Moscovo também apresentou planos para colocar mísseis nucleares na Crimeia, capturada no início de 2014, durante a emergência da crise.

De momento, a arma mais destrutiva empregue pela NATO tem sido a das sanções económicas, que deixou uma tremenda marca na economia russa. No entanto parece haver sinais de um ressurgimento do rublo, e é evidente que Putin tem feito esforços para manter o seu país no mapa financeiro, aproximando-se de parceiros, com a China, e até procurando novos aliados em locais tão inesperados como a Grécia. Também possui as suas próprias formas de retaliação. A encomenda de navios de assalto a França poderá ser cancelada devido ao antagonismo, o que custaria a Paris entre 2 a 5 mil milhões de euros.