Volta tudo à estaca zero. O primeiro-ministro grego confirmou esta quarta feira que os credores internacionais rejeitaram o pacote de medidas apresentado pela Grécia para desbloquear a terceira tranche do empréstimo e que pode salvar o País da bancarrota. Alexis Tsipras vai reunir-se hoje com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, num último esforço para desbloquear a situação.

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Na base da discordância está o facto dos credores internacionais considerarem que as medidas apresentadas por Atenas não cumprem o que estava anteriormente acordado. Já Tsipras defende que são equivalentes no que diz respeito aos resultados e mostra-se estupefacto pela reação dos credores. O primeiro-ministro grego considera que a rejeição das propostas é algo inédito, que não aconteceu nos planos de resgate da Irlanda e de Portugal. O conjunto de medidas apresentadas por Atenas visavam desbloquear uma tranche de 7,2 mil milhões de euros, que permitiriam à Grécia fazer o reembolso ao FMI de 1,5 mil milhões de euros até ao final do mês e fazer face a outras despesas do Estado e ainda continuar na moeda única europeia.

Tsipras está debaixo de fogo
Tsipras está debaixo de fogo



Medidas de austeridade

Apesar de sempre defender outro caminho para recuperação económica da Grécia que não a austeridade, Tsipras foi obrigado a fazer algumas concessões aos credores, endurecendo a carga fiscal. Entre as medidas apresentadas ,que previam um encaixe de 8 mil milhões de euros, o governo grego comprometia-se a aumentar o IRC das empresas de 26 para 29%, criar uma taxa de 12% para lucrosde empresas que apresentassem mais de 500 mil euros de lucros, mexer nas tabelas de IVA e ainda criar uma taxa de solidariedade no IRS.

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Além destas, a Grécia decidiu ainda diminuir as verbas da Defesa e taxar os bens de luxo.

As medidas apresentadas, agora chumbadas pelos credores, foram de imediato criticadas pelos gregos, que acusaram o primeiro-ministro de ter mentido. Depois de um período de estado de graça, Tsipras enfrenta a contestação interna do seu partido, com alguns deputados a ameaçarem chumbar o pacote, e ainda as críticas da população que não vê com bons olhos este recuo.



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