O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, afirmou que considera "normal" a ação da Polícia Federaldo Brasil. A declaração foi feitaem conferência de imprensa. Cunha foi alvo da PF, hoje (15 de dezembro), numaoperação de busca e apreensão na sua residência oficial na capital do país, além da casa e do escritório do político do PMDB na cidade do Rio de Janeiro.A ação, que tem a designaçãodeCatilinárias, faz parte das investigações da Operação Lava Jato, que apura crimes que envolvem pagamentos de "propinas" (subornos) em empreendimentos da Petrobras, a empresa estatal brasileira no ramo de petróleo e gás.

"Houve 53 mandados de busca e apreensão. Entre eles, em três endereços meus. Minha residência oficial em Brasília, minha residência no Rio de Janeiro e no meu escritório. Nenhum problema. Nada de mais, faz parte do processo investigativo", disse o presidente da Câmara dos Deputados.

Para o peemedebista, é "estranho" quea ação ocorresse hoje, quando foi realizado um encontro do Conselho de Ética para analisar o seu processo de cassação e um dia antesda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"O que estranho é a gente estar no momento no dia que vai ter o Conselho de Ética e na véspera da decisão do processo de impeachment e de repente deflagram uma operação. A denúncia foi feita há quatro meses", afirmou Cunha. Para Eduardo Cunha, os investigadores da Lava Jato "aliviam" parapolíticos do PT e colocam na mirao PMDB.

Cunha também disse que o Governo Federal procurauma vingança, porque foiele quem deu início ao processo de impeachment da presidente Dilma, alvo de protestos em março e abril, bem como no último domingo.

Também afirmou que não vai renunciar ao cargo principal da Câmara dos Deputados."O Governo quer desviar a mídia do processo de impeachment e colocar em mim e ao PMDBa concentração dos atos. Nada mais natural do que ele querer buscar revanchismo", afirmouCunha.

A Operação Catilinárias teve como foco principal políticos filiados e ligados ao PMDB. Além de Cunha, foram alvos da operação os ministros Celso Pansera (PMDB-RJ), de Ciência e Tecnologia, e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), do Turismo; e o deputado Federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tambémenvioua Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, uma solicitação para uma busca à residência dopresidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). No entanto, o magistrado da Corte negou autorização para a PF entrar na residência de Renan.

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