Desenterrar corpos, limpá-los cuidadosamente, vesti-los com roupa novas, tirar fotografias de família e andar com eles na rua. Parece o resumo de um episódio de uma série de zombies ou de um filme de terror, mas não é! Trata-se de um ritual que é comemorado há mais de um século pelos Torajan, um grupo étnico minoritário do sul de Sulawesi, na Indonésia. A celebração é considerada uma manifestação de amor e respeito que pretende homenagear os entes queridos e mantê-los vivos no seu coração e mente.

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Ma'nene Festival ou, traduzido para português, a “Cerimónia de Limpeza de Corpos” é o nome deste ritual que ocorre na Indonésia. Trata-se de um "segundo" funeral que mantém o povo desta região ligado aos seus parentes mortos. Comemorado de três em três anos, este ritual leva os habitantes a exumar os seus entes queridos, sejam crianças ou idosos. Os cadáveres, depois de serem limpos, recebem roupas novas e são levados pelos seus familiares do local da morte até à casa onde nasceram. Os caixões onde se encontram os falecidos são frequentemente reparados ou substituídos de forma a preservar os corpos o máximo possível.

A origem do ritual está pavimentada na crença de que o espírito da pessoa morta deve sempre regressar à aldeia de origem. Devido a esta convicção, o povo de Torajan não gosta de sair das aldeias, por ter medo de morrer longe de casa e os membros da sua família não se aventurarem a cumprir o ritual.

De acordo com o jornal Daily Mail, para os habitantes de Torajan o funeral é um dos momentos mais importantes da vida. Como tal, passam a vida a economizar para poder ter um funeral respeitável para si e para todos os membros da sua família. Eles acreditam que uma pessoa só está realmente morta depois de um búfalo ser sacrificado.

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Assim, em alguns casos, o enterro do falecido é realizado semanas, meses ou até mesmo anos depois da sua morte, para que a família consiga amealhar dinheiro para realizar um funeral elaborado e extravagante, afiança o jornal britânico. Durante o período de espera, o cadáver continua a ser alimentado e fica envolto em várias camadas de pano para prevenir a decomposição. 

De acordo com os censos de 2010, a provícia de Tana Toraja (onde vive a maior parte deste grupo étnico) tem cerca de 200.000 habitantes.

Este número constitui menos de 1% da população da Indonésia, que tem 257 milhões de habitantes.