A introdução de gás de urânio em mais de mil centrifugadoras da central em Fordo pode levar ao recomeço do processo de enriquecimento de urânio, que é fundamental para a construção de uma arma nuclear. No entanto, o presidente Hassan Rouhani deixou claro que a injeção do gás pode ser revertida no futuro e não mencionou se o país irá voltar a fabricar urânio enriquecido.

Esta não é a primeira medida tomada pelo governo iraniano que desrespeita o acordo assinado em 2015, em resposta à retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo e das sanções que o governo americano tem aplicado desde então.

Apesar disso, o Reino Unido, a França, a Alemanha, a China e a Rússia continuam a respeitar o acordo nuclear e têm tentado arranjar uma forma de convencer o Irão a manter os seus compromissos. Contudo, as sanções americanas têm tido um enorme impacto na economia iraniana, fazendo com que a exportação de petróleo do país tenha diminuído consideravelmente e com que a taxa de inflação esteja a atingir níveis muito elevados.

A União Europeia já expressou publicamente a sua preocupação em relação a este passo, que ameaça colocar o Irão mais perto da construção de uma eventual arma nuclear, apelando ao governo iraniano para voltar a cumprir o acordo, cujo futuro parece cada vez mais incerto.

O acordo nuclear

Depois de vários anos de enorme tensão entre o Irão e a comunidade internacional em relação ao seu programa nuclear, o governo do Irão assinou em julho de 2015 um acordo com os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Alemanha, a China e a Rússia, que estabelecia o abandono das atividades nucleares do país em troca do levantamento das sanções que estavam a ser prejudiciais à sua economia.

Mudança de rumo

No entanto, em maio de 2018, o presidente dos Estados Unidos deixou de cumprir o acordo que tinha sido uma das principais conquistas de Barack Obama no seus dois mandatos como presidente. Donald Trump, que durante a campanha presidencial mencionou várias vezes que iria retirar o país do acordo nuclear, considera o Plano de Ação Conjunto insuficiente, uma vez que não aborda o desenvolvimento de mísseis balísticos do Irão, nem as suas atividades noutros países do Médio Oriente como a Síria, o Líbano ou o Iémen, que o presidente dos Estados Unidos considera serem desestabilizadoras para a região, uma opinião partilhada pela Arábia Saudita, o seu principal aliado no Médio Oriente.

Para pressionar o governo iraniano a assinar um novo acordo, Trump introduziu novas sanções, que forçaram o Irão a quebrar gradualmente os seus compromissos do acordo nuclear, à medida que as potências europeias, a Rússia e a China tentam preservar um acordo que representou um momento histórico para a diplomacia e para a relação entre o Irão e a comunidade internacional.

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