Na ilha de Harris, no norte da Escócia, uma cachalote jovem foi encontrada morta por entre as areais da praia de Seilbost. Moradores da zona deparam-se com a situação e alertaram as autoridades. No local, a guarda costeira, SMASS e elementos do Western Isles Council (órgão governamental) trabalharam em conjunto para apurar as causas do sucedido.

A autópsia

Elementos da SMASS (Scotish Marine Animal Stransing Scheme), uma organização que estuda as causas de morte de animais marinhos como golfinhos e baleias, realizaram a autópsia do animal e o que descobriram foi, simultaneamente, surpreendente e revelador: o mamífero tinha no estômago cerca de 100 kg de resíduos incluindo plásticos, cordas e materiais de pesca.

Segundo os especialistas, estes resíduos podem ter sido engolidos pelo mamífero em qualquer ponto entre a Noruega e os Açores. O animal pesava cerca de 20 toneladas, o que tornou a sua remoção do local uma tarefa árdua, acabando por ser enterrado ali mesmo.

Embora não consigam garantir que estes resíduos tenham sido a causa da morte do animal, os membros da SMASS afirmaram na sua página no Facebook que "esta quantidade de lixo deve ter comprometido a sua digestão" e que esta situação serve também para nos alertar para os perigos que a poluição marinha pode causar.

A mesma organização alertou também para o facto de que a quantidade de baleias e golfinhos que dão à costa na Escócia tem aumentado bastante, o que leva a uma reflexão acerca da interferência do ser humano no equilíbrio dos ecossistemas.

A espécie

As baleias cachalotes são mamíferos marinhos da espécie Physeter macrocephalus. Pertencem à ordem dos cetáceos, constituída por grandes mamíferos marinhos como golfinhos, orcas e baleias, de entre as quais a baleia cachalote.

Todos estes animais são mamíferos de grande porte, daí o nome da ordem, que deriva da palavra grega keto (monstro marinho).

Podendo alcançar, no caso dos machos, até cerca de 20 metros de comprimento e 45 toneladas, este tipo de baleia é assim o maior mamífero com dentes conhecido no nosso planeta. Para se alimentarem mergulham a zonas de grande profundidade, de entre 400 a 2000 metros abaixo do nível médio das águas do mar.

Nestas zonas mais profundas, como a visibilidade é reduzida, utilizam a ecolocalização para se orientarem, ou seja, emitem ondas sonoras para detetar a localização das presas. Segundo os biólogos, esta espécie está em perigo de extinção e são cada vez mais frequentes incidentes como este que ocorreu em Harris.

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