O cinema está recheado de monstros. Representando os medos conscientes e irracionais da comum existência humana, estas criaturas trazem consigo uma aura de pavor que as imortaliza na mente dos espectadores. Isto é especialmente verdade com os grandes monstros, aqueles que não serão apenas os mais espetaculares, como também encarnam de modo mais memorável aquelas sensações primordiais que nos movem: King Kong, Alien, Drácula, para referir apenas alguns. No entanto, há um monstro cuja indelével marca no cinema e permanência no mesmo ultrapassou todas as barreiras culturais e geracionais, dotado de um apelo transcendente e inexplicável.

Falo, claro, de Godzilla.

Criado durante a alvorada da era nuclear, este monstro tornou-se num avatar para o medo da bomba atómica. Um ser enorme, sinistro, que destrói tudo à sua passagem, deixando no seu encalço uma trilha de radiação que torna cidades inteiras inabitáveis, e dotado de um icónico sopro atómico.

Quando surgiu no cinema japonês, a 3 de Novembro de 1954, o filme "Gojira", dos Estúdios Toho, foi visto pela crítica com ceticismo. Na altura acreditava-se que o cinema japonês não era adequado a Filmes de efeitos especiais, e que a premissa aparentemente ridícula não se adequava à tradição do mesmo. No entanto, o filme foi um grande sucesso e a edição americana, chamada "Godzilla: King of the Monsters", arrebatou bilheteiras a nível internacional.

A verdade é que o grande dinossauro radioativo é dotado de um complexo simbolismo e de uma mitologia que com os anos ficou incrivelmente complexa, numa espécie de zoológico dos medos da era nuclear. De monstro devastador passou a anti-herói, eventualmente tornando-se num dos grandes defensores da Terra, aquando do fim da primeira série de filmes, nos anos 70.

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Regressou nos anos 80, novamente como um destruidor, acabando por morrer a meio da década seguinte para abrir caminho à versão americana. Esta revelou-se uma desilusão, o que levou a Toho a trazer o monstro de volta com a aclamada série Millenium. Mas mesmo está série foi de vida curta, acabando em 2004.

O Rei dos Monstros só regressaria este ano, com o filme "Godzilla" de Gareth Edwards. O filme foi um sucesso estrondoso, abordando a criatura como o salvador destrutivo que fora durante os anos 70. Mais uma vez recordamos o potencial dúbio e incompreensível da bomba atómica, que tanto aterroriza como fascina as audiências. Felizmente para o franchise, esta recente entrada foi um grande sucesso, mas a sequela só está planeada para 2018, pelo que a Toho decidiu criar um novo filme, que irá estrear em 2016, para manter o interesse. Tendo entrado em 30 filmes até agora, Godzilla é a personagem mais prolífica da história do cinema, e certamente que será o seu maior monstro. Com os projetos agora em andamento, esse número subirá para 33 na alvorada da próxima década.