O litoral de Portugal concentra grande parte do turismo nacional e estrangeiro. No entanto, há zonas no interior do país que apresentam vocação turística. Um desses exemplos é a cidade de Viseu, localizada na Beira Alta, que demonstra um desenvolvimento e um dinamismo que devem ser aproveitados para receber mais visitantes.

Riqueza histórica

A sua origem remonta à época dos romanos, que se acredita terem conquistado Viseu, naquela altura uma povoação fortificada. Um dos locais mais visitados da cidade, a Cava de Viriato, apresenta vestígios do domínio romano. É uma construção de grande dimensão (38 hectares), com uma forma octogonal e servia como um acampamento militar permanente.

Este monumento possui um sofisticado sistema de engenharia hidráulica e engloba 8 taludes em terra, ligados a fossas de água com 16 metros de largura e 4 metros de profundidade. O nome de Viriato surge associado a esta construção desde o século XVI mas há dúvidas se tem alguma relação com isso. Em frente da Cava temos uma estátua de Viriato criada em 1940 pelo o escultor espanhol Marianno Benlliure.

Se rumarmos para sul encontramos numa zona alta da cidade dois locais muito procurados pelos os turistas, a Sé de Viseu e o Museu Nacional Grão Vasco. A Sé, também conhecida como Catedral de Santa Maria de Viseu, tem origem no principio do século XII durante o reinado de Dom Afonso Henriques e foi impulsionada pelo o bispo Dom Odório. Foi construída em estilo românico e passou por várias transformações ao longo do tempo que influenciaram o seu aspeto.

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Atualmente, apresenta características góticas, manuelinas e barrocas. Em 1635 houve um temporal que modificou a parte frontal da Sé e uma das torres sineiras foi destruída. No seu interior encontramos o primeiro claustro renascentista de Portugal com arcada jónica, três naves, um transepto, a capela-mor e a abóboda de nós. No andar superior há um museu criado em 1942 dedicado ao Tesouro da Sé guardado nos 900 anos da sua história.

O principal museu da cidade situa-se ao lado da Sé e é dedicado ao pintor português Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco, que viveu e faleceu em Viseu em 1542. O museu foi fundado em 1916 e ocupa o local de um antigo seminário do século XVI. A maioria das obras de Grão Vasco está exposta no museu com destaque para o quadro de São Pedro (1506) e a Útima Ceia (1535). Nesta época, Viseu atravessava um período positivo no desenvolvimento da arte e Grão Vasco era o expoente máximo. Este demonstrava diversas influências no seu modo de pintar nomeadamente flamengas, renascentistas e manuelinas.

Realço que o museu também conta com obras provenientes de colaboradores de Grão Vasco e outros artistas contemporâneos. Acrescento que, além da pintura, há coleções de ouriversaria, cerâmica, têxteis, numismática, desenho e escultura.

A Casa das Memórias

Quem quiser saber mais sobre as personalidades, os espaços e os momentos mais relevantes da história de Viseu deve visitar a Casa das Memórias inaugurada recentemente. O edifício de arquitetura medieval está localizado no centro da cidade junto à rua direita que é uma das principais áreas do comércio de Viseu desde a cidade romana Cardus Maximus há 2000 anos. Enquanto passeamos pelos seus 500 metros de comprimento, podemos observar algumas casas senhoriais e janelas manuelinas e góticas.

A rua formosa é outra zona comercial que tem uma particularidade no seu subsolo. Durante obras de renovação da rua, descobriu-se uma Muralha Romana que está atualmente protegida por um vidro num projeto do arquiteto Henrique Torres. Deste modo, as pessoas podem passar por cima da muralha e apreciá-la constituindo assim um museu ao ar livre.

No sul de Viseu existe desde 2008 o Palácio do Gelo, o terceiro maior centro comercial do país, apenas superado pelo o Dolce Vita Alfragide e o Colombo de Lisboa. Este equipamento pertence ao Grupo Visabeira, tem um total de 175 mil m2 e 164 lojas distribuídas por 8 andares. Este espaço distingue-se de outros centros comerciais devido à existência de uma pista de gelo durante todo o ano e principalmente o único bar de gelo do país localizado num piso subterrâneo. A temperatura no seu interior é negativa e por isso é necessário utilizar um casaco, luvas e botas durante a permanência no bar que tem capacidade para 40 pessoas. Saliento que na sua construção foram usadas 35 toneladas de glaciares do Canadá.

As pessoas que preferem um ambiente mais tranquilo devem rumar ao parque da cidade, situado no centro de Viseu. É a zona verde mais importante da cidade, que inclui vários cursos de água e onde os visitantes podem passear e fazer desporto. Desde 1974 assumiu o nome de Parque Aquilino Ribeiro como forma de homenagem a um dos escritores portugueses mais importantes nascido no distrito de Viseu, e que está no Panteão Nacional desde 2007.

No monte de Santa Luzia, no norte de Viseu, existe um museu dedicado apenas a um mineral e é único em Portugal. Estou a falar do Museu do Quartzo inaugurado em 2012 e cuja construção foi ideia do geólogo Galopim de Carvalho. O museu tem uma forte componente interativa e constitui um centro interpretativo do quartzo com recurso às novas tecnologias. No seu interior há um auditório, um centro de ciência, biblioteca e sala de exposições.