Era comum as pessoas terem diários. Um dia tornaram-se digitais. Surgiram os blogues como forma de partilhar pedaços da vida do autor com o público. Há alguns anos atrás contavam-se pelos dedos, hoje em dia, conheço poucas pessoas que não tenham um. Partilham-se opiniões, que nem sempre são isentas de pagamentos por patrocinadores, procuram-se blogues para saber se um produto é bom ou não, numa era em que já não se acredita nas publicidades que passam na TV.

A regra da publicidade é clara: vender o produto que promove.

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Simples assim. Não vemos um spot publicitário em que digam que o produto afinal não é assim tão bom. A publicidade diz-nos que sim, o produto é o melhor do mercado. E quantas vezes comprámos um desses produtos milagrosos e quando experimentamos percebemos que deitamos dinheiro ao lixo? A mim já me aconteceu, mais vezes do que as que gostaria. Como evitámos isto? Ao perguntar àquele conhecido, àquele amigo ou familiar que já o havia comprado. Se a opinião for boa vamos lá comprar, caso contrário riscámos aquele produto da lista de desejos e prometemos nunca mais pensar sequer em gastar dinheiro naquilo.

Por vezes não conhecemos assim tanta gente, e quem conhecemos também não quer arriscar a comprar aquele batom ou aquele jogo, ou o que quer que seja. E o que fazemos quando não sabemos algo? Pesquisamos na Internet. É aí que os blogues são uma importante ajuda. De certeza que alguém no mundo já comprou aquele batom que nós tanto queríamos, e - melhor de tudo - escreveu sobre ele. Sobre as qualidades e os defeitos, temos fotos reais do produto e uma opinião - que pensamos nós - sincera. E se o autor daquele blogue for pago para fazer uma crítica positiva daquele produto? Acontece.

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Cada vez mais as marcas sabem da enorme influência que estas plataformas têm, e esta nova era de opinion-makers atinge milhares de leitores todos os dias. Muito se fala da ética, parece óbvio que enganar os leitores, dizendo que um determinado produto é fantástico quando na verdade é muito fraquinho, é errado. Porém, aqui a opinião confunde-se com os interesses comerciais. E quando uma marca paga mais de 600 euros - e sim, isto acontece em Portugal, onde um salário mínimo não chega a tanto - por uma publicação torna-se difícil manter a opinião isenta.

O negócio é simples, as marcas querem estar onde estão os consumidores, e como sabemos passamos cada vez mais tempo nas redes sociais. Aos chamados bloggers - autores de um blogue - interessa sobretudo fazer render o seu trabalho, o seu blogue. Aos leitores, cabe entender que nem tudo que se lê como sendo uma opinião espontânea o é, por vezes é tão incumbida como qualquer publicidade.