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Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos da América e a União Soviética eram os únicos Estados que tinham condições para, de facto, disputar o poder num mundo que se recompunha. Para Mearsheimer (2001), o poder de uma potência deve ser baseado nas capacidades materiais que cada Estado possuiu, e é dividido em dois tipos: o poder latente, que é baseado na riqueza do Estado e no tamanho de sua população, ou seja, refere-se ao potencial que um Estado tem para construir a sua força militar e travar as suas próprias guerras.

E o poder militar que é baseado no tamanho e na força do exército de um Estado somado ao suporte naval e aéreo.

Os motivos pelos quais esses dois Estados alcançaram tal condição como únicas superpotências na pós-Segunda Guerra Mundial foram cruciais para a formação da nova estrutura sistémica, ou seja, um mundo dividido em dois grandes blocos de influência, capitalistas e comunista, respectivamente EUA e URSS.

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Os Estados europeus, mais precisamente a Inglaterra e a França, não tinham condições para desfrutar dos ganhos políticos e económicos da guerra, uma vez que a Europa foi o principal cenário da mesma e os países precisavam de se reestruturarem. Tal facto afastou temporariamente não só esses dois Estados das grandes decisões mundiais, visto que França e Inglaterra faziam parte do grupo de Estados vencedores da Segunda Guerra Mundial e figuravam como defensores do capitalismo junto com os EUA, mas também toda a Europa.

No continente asiático, os avanços japoneses durante a guerra e o próprio estágio de desenvolvimento dos demais países impediram, mesmo que temporariamente, uma reacção por parte de qualquer um deles, principalmente da Coreia e da China. Nota-se também que boa parte dos países asiáticos já se encontravam sob a égide da URSS, o que diminuía consideravelmente qualquer articulação nesse sentido.

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Os Estados asiáticos que não haviam aderido ao modelo soviético através da ascensão ou revolução de seus partidos comunistas, tiveram a sua vontade política, de certa maneira, reprimida face ao domínio soviético por intermédio da coacção do poderio militar da URSS.

Assim, o mundo havia sido dividido. De um lado os EUA e do outro a URSS, e a estrutura do sistema internacional também se modificou para um sistema bipolar. As condições pelas quais esses Estados chegaram a essa situação no final da Segunda Guerra Mundial não ocorreram somente pela não existência de possíveis candidatos à potência, e sim, por os dois países possuírem outras características, das quais as mais importantes em relação à teoria realista de Mearsheimer (2001). Apesar da rápida desmobilização dos seus exércitos, os norte-americanos saíram do conflito, em termos de poder, em situação realmente invejável.

A guerra beneficiara os EUA em vários sentidos: o seu território não sofrera danos materiais por não ter sido campo de batalha; as suas perdas humanas foram menores se comparadas com as dos outros países beligerantes; a sua economia saiu fortalecida pelo esforço de guerra; o monopólio da força atómica dava-lhe a certeza de uma segurança relativamente barata e optimista e, por fim; o desmoronamento do Império Britânico dava aos EUA a condição de exercer o papel hegemónico frente aos interesses do capitalismo.

Leia também a primeira parte deste artigo.