Fazendo uma muito breve explicação entre as diferenças sobre o voto Universal e o voto censitário, este último consiste em possibilitar a algumas pessoas da sociedade o exercício do voto. Este sistema foi utilizado um pouco por toda a Europa e também em Portugal no início do século XX. Basicamente as pessoas que votavam eram pessoas com alguma formação académica e/ou comerciantes com grande poder económico. Quem tinha o poder de voto eram apenas os homens. E, tendo em conta a quantidade do seu agregado familiar, este tinha mais ou menos votos.

Se entendermos que os jovens e esposas não tinham o conhecimento/ formação ou simplesmente não achavam relevante os assuntos ligados à política, até porque grande parte das mulheres nem sequer trabalhavam e eram poucos os jovens que tinha acesso ao ensino superior, este sistema fazia algum sentido, porque a política era um assunto de homens adultos.

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O Voto Universal, como o próprio nome indica, é universal sendo este o sistema existente na maioria dos países democráticos. Todos ou quase todos podem votar, salvo algumas excepções. No caso de Portugal a partir dos 18 anos se pode votar e no caso do Brasil a partir dos 16 anos, homens e mulheres com ou sem formação política. A questão que penso merecer profunda reflexão é: Será que uma pessoa com 16 ou 18 anos ou sem qualquer formação política está capacitada para votar?

A minha opinião é não, isso porque entendo que uma pessoa sem qualquer conhecimento em política ou como funciona o sistema político vigente no seu país onde se encontra não deveria poder votar.

Capacidade de voto (Fonte: ideas.scup)
Capacidade de voto (Fonte: ideas.scup)

Entendo que da mesma forma que uma pessoa pretende obter um licença para conduzir um automóvel precisa de formação, assim deveria ser para o exercício do voto. Esta opinião não visa discriminar e sim capacitar os cidadãos. Penso que a partir do 9.º ano de escolaridade deveria existir um disciplina ou conjuntos de disciplinas obrigatórias até ao 12.º ano, sem excepção de área ou estabelecimento de ensino, com o propósito de transmitir, desde muito jovens, aos cidadãos um profundo conhecimento do que é a política, da sua importância na vida da sociedade, a importância do voto e dessa forma reduzir a elevada abstenção.

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Hoje verifico pessoas de ambos os sexos e de várias as idades que não votam e nem querem votar, pessoas que não sabem a diferença do PS e PSD ou do PCP e BE. Tenho conhecimento de que muitas pessoas não sabem a razão pelo qual o nosso país tem um sistema semi-presidencialista, que quem governa o país é o Primeiro-ministro e não o Presidente da República. A falta de conhecimento proporciona uma decisão errada aquando do voto, pelo que a situação actual alimenta o populismo e a desconfiança.

Pessoas vendem votos por falsas promessas, por electrodomésticos.

Este tipo de acontecimentos não refletem o voto esclarecido, o conhecimento como cerne da questão capacita o voto consciente, uma maior qualidade de voto nos nossos governantes e melhor qualidade da nossa classe política. O que se tem verificado, desde a nossa recente liberdade, é o desconhecimento, desinteresse, populismo, descrença nos políticos, no sistema político, o distanciamento de quem elege e de quem é eleito.

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Em suma acredito que após munir os cidadãos dos conhecimentos básicos de tudo o que envolve a política, o voto ser consciente e devidamente esclarecido, será possível assistir a uma maior participação dos cidadãos e de novas formas de representação política.

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