As marinhas dos Estados deixaram de estar centradas na defesa terrestre, como tinham estado durante a Guerra Fria. Passando a concentrar-se gradualmente na defesa das vias marítimas de forma a garantir e manter o estilo de vida das metrópoles, bem como a sobrevivência das multinacionais que obtêm lucros por fazerem a extração e o transporte de matérias-primas, que conforme as rotas utilizadas são ameaçadas pela pirataria. Se é verdade que os Estados costeiros retiram inúmeras vantagens dos Oceanos, também é verdade que estão expostos a imensas ameaças que tiram partido do mar, como pirataria, terrorismo marítimo, tráfico humano e estupefacientes, as consequências das alterações climáticas, entre outras.

É, portanto, central abordar cada ameaça de forma individual.

A pirataria constitui uma ameaça crescente junto da comunidade internacional por ser uma questão que diz respeito não apenas aos Estados cujas águas territoriais são utilizadas para a prática destes actos, mas a toda a comunidade internacional por afectar seriamente o comércio num sistema internacional globalizado. O terrorismo marítimo é uma ameaça real que põe em causa a segurança e estabilidade do sistema internacional, as motivações das organizações terroristas podem ser de cariz variado, mas a prática pode passar por ataques, a partir do mar, a navios, com carga preciosa ou de passageiros, e a infraestruturas marítimas.

Uma terceira ameaça de relevo é o tráfico humano, as redes criminosas que exploram este tipo de actividade aproveitam-se do fraco controlo e capacidade dos Estados de exercerem a sua jurisdição dentro de portas.

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Além do tráfico humano constituir uma ameaça, por as redes terroristas verem nesta actividade um meio de infiltração nos seus países-alvo, é também uma questão humanitária por as redes de tráfico praticarem uma nova escravidão e violarem os Direitos Humanos. As consequências das alterações climáticas são também consideradas ameaças, mesmo que não perpetradas directamente pela mão humana mas pelo desenvolvimento e consequente expansão do sistema capitalista e do seu desenfreado consumo de recursos naturais, que originam poluição descontrolada. Estas consequências tomam a forma de inundações, perdas territoriais devido à elevação do nível do mar e condições meteorológicas extremas, resultando, por sua vez, em perda de vidas, migração involuntária, instabilidade social e no surgimento de crises regionais.