Aeconomia marítima de África representa cerca de 90% do comércio africanoilegal, que inclui o mercado negro de armamento militar, produtos florestaisextraídos ilegalmente, medicamentos de contrafacção e, por fim mas não menosimportante, o tráfico de seres humanos. Onarcotráfico movimenta cerca de 50 a 60 toneladas de cocaína anualmente apartir da África Ocidental, com destino à Europa. 775 Milhões de US dólaresprovêm da venda de cigarros contrabandeados e 438 milhões da venda demedicamentos contrafeitos que passam pela África Ocidental via marítima.


Jáo tráfico de seres humanos na África Ocidental baseia-se principalmente naexploração de mulheres e crianças, e têm como países de origem o Gana, aNigéria e o Senegal. O destino das vítimas neste negócio é geralmente a Europa,os Estados do Golfo e outros Estados africanos. Quando as vítimas chegam aospaíses de destino são comummente exploradas no sector da pesca e naprostituição. Arealidade demonstra-nos que a maioria dos espaços marítimos sob jurisdição deEstados costeiros em África se caracterizam pela ausência ou vazio degovernação.

Estefacto pode ser explicado por várias razões. Primeiramente, pelo enfraquecimentoe crise do Estado no continente africano, que se traduz na ausência decapacidade efectiva de extensão da presença e controlo da totalidade do seuterritório. Em segundo lugar pelo facto da Organização da Unidade Africana,instituída em 1963, e mais tarde a União Africana, sua sucessora a partir de2002, terem optado sempre por uma abordagem essencialmente continentalista eterritorialista à segurança.


Emestreita ligação aos dois anteriores motivos constata-se a existência de umainsuficiente vontade política por parte da elite dirigente motivada por umdesconhecimento das potencialidades do seu espaço marítimo bem como pelacorrupção que grassa no aparelho de Estado, o que permite a depredação das riquezasnacionais. 
Jáno âmbito das forças armadas dos Estados africanos, nomeadamente nas marinhas,assiste-se a uma inadaptação para as funções de segurança marítima, visto assuas forças marítimas serem treinadas para outros fins.

Comtodas estas questões pode-se afirmar que as forças armadas da maioria dosEstados africanos não estão preparadas para fiscalizarem eficazmente as suaságuas territoriais nem as suas Zonas Económicas Exclusivas (ZEEs), permitindo aprática de actos ilícitos.

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