Na era da comunicação, os gadgets vieram abrir portas à troca de informação massiva e fechar janelas nas relações entre pais e filhos. Não são raras as vezes que encontramos famílias separadas por gadgets, sejam eles smartphones, tablets, mp4s ou consolas. Na maioria dos casos, a proximidade física é destruída por um pequeno aparelho que divide os elementos da mesma Família em mundos diferentes. Enquanto os pais se movem num plano prático da realidade, executando as tarefas diárias, os filhos agarram-se a uma realidade virtual que mora num qualquer aparelho digital.

Vemo-los comunicar com um dispositivo electrónico através de mímica, arrastando os dedos para um lado e para o outro num pequeno ecrã.

Por vezes, teclam frases sem que saibamos se as destinam a alguém do outro lado ou se apenas ficam no dispositivo. Os seus cérebros estão ocupados com o que se passa dentro da máquina, que não vemos, e com o que lhes entra nos ouvidos vindo dos fones que formam uma barreira entre o plano físico dos pais e o deles, estipulando realidades paralelas.

Esta distância, apesar da proximidade aparente, pode estar a separar duas gerações que se julgam mais perto do que as de outrora e que, iludidas pela abertura na comunicação entre pais e filhos, se vão deixando perder pela falha nas relações interpessoais em que não reparam. Há filhos que vão crescendo sem o calor do toque e da conversa dos pais. Há pais que se pensam a acompanhar o crescimento dos filhos, porque os veem todos os dias, mas sem se aperceberem que o que veem pode não ser nem a ponta do icebergue emocional que os revolve por dentro.

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Por outro lado, alguns gadgets, como os telemóveis, smartphones e tablets, permitem uma comunicação permanente. Quando os filhos estão na escola, nas aulas ou na casa-de-banho, nas actividades desportivas, ou em qualquer local com rede wireless ou telefónica, os pais podem contactá-los. Podem saber o que estão a fazer no momento e sentir-se in loco; acompanhar cada etapa das suas vidas como se estivessem presentes, pois podem, através do contacto constante, segui-las em tempo real.

Mas será que esta ideia de presença é verdadeira? Que a partilha ininterrupta de informação e o contacto permanente contribuem para cimentar as relações parentais? Terá o fosso geracional diminuído desde o tempo dos nossos avós? Talvez só daqui a uns anos tenhamos as respostas a estas questões.