Na minha humilde opinião, julgo que esta é mais uma característica a atribuir ao nosso país. Um país tão pequeno a nível de dimensão física, mas tão grande a nível histórico e cultural. Nos dias que correm parece que todos os "profissionais" decidem fazer greve.

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"Não concordo, faço greve", "acho mal, faço greve", são as expressões mais utilizadas actualmente. Infelizmente, muitas vezes faz-se greve sem se saber o verdadeiro motivo para a fazer.

Ao dizer isto não significa que não aceite que as pessoas se devam manifestar. Muito pelo contrário, todos devemos manifestar-nos e mostrar o nosso desagrado relativamente a qualquer situação. Praticando uma greve pretende mostrar-se o desagrado em determinada situação. As greves mais comuns no nosso país são contra as políticas do Governo e contra a legislação laboral. Mas, vamos também pensar um pouco mais sobre isto, pegando em algumas situações:

A.

Portugal para e a greve continua
Portugal para e a greve continua

Ora tomemos o caso da Greve dos Enfermeiros. Um enfermeiro pretende mostrar o seu desagrado relativamente aos salários, horas de trabalho e precaridade contratual/laboral. Ao fazer a "dita" greve não está a atingir em primeiro lugar o Governo e as suas políticas, mas sim quem mais necessita deles, ou seja, o povo, os acamados e os doentes que necessitam de cuidados especiais;

B. Greve de Professores. Ao fazer greve, um professor, antes de atingir o Governo/Ministério da Educação, irá atingir os seus alunos.

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São os alunos que mais irão sofrer com as consequências da greve, que na maioria das vezes em nada resultam. Para muitos é apenas uma justificação para não dar aquele dia de aulas, pois se existe alguma manifestação, a maioria dos professores nem se encontra presente na mesma.

C. Greve dos trabalhadores do Metro. Muito bem… Quem atingem? A classe de trabalhadores, que necessita de se deslocar para os seus empregos. E que, caso não consigam outro meio de transporte, terão que perder esse dia de trabalho.

D. Greve da TAP. Esta é das que mais se tem ouvido falar nos últimos meses. Motivo da greve: contra a privatização da TAP. Somos contra a privatização mas, ao fazermos greve estamos a prejudicar não só o Governo, mas principalmente o nome de uma empresa (já bastante "mal falada") e os passageiros que adquirem viagens na mesma companhia. Esta greve, que irá ocorrer numa altura festiva, prejudicará em milhares de euros a empresa, e mais do que isso, irá afectar inúmeras famílias que se reencontram nesta altura do ano.

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Muitas ainda sem saberem o que fazer devido às notícias que surgem todos os dias na nossa imprensa.

E. Greve da Função Pública e manifestações da mesma. O horário de trabalho dos funcionários públicos aumentou em 5 horas semanais, passando das 35 horas para as 40 horas. Entretanto, caso esses funcionários públicos que tanto reclamam não tenham ainda reparado, o horário de trabalho em Portugal é de 40 horas semanais. Qual o objectivo das reclamações?

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Senhores funcionários públicos, os portugueses trabalham em média 40 horas semanais, muitos trabalham aos fins-de-semana e feriados. Muitos têm formação superior e recebem o ordenado mínimo nacional, sem regalias como as "pontes", que nesta altura do ano são privilégio dos funcionários públicos. Afinal, do que reclamam? Querem trocar e deixar a Função Pública?

Como referi inicialmente, sou a favor que as pessoas se manifestem e mostrem o seu desagrado com as situações em que estão a ser envolvidas e prejudicadas, mas tenham em atenção que afinal as greves não atingem somente quem pretendem atingir. Estão muitos cidadãos envolvidos e que serão severamente prejudicados quando tencionam fazer a vossa greve. Vamos pensar nisto?

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